Ilustrada
03/05/2009 - 14h24

Virada espalha mau cheiro em SP; banheiros químicos entram em colapso

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RICARDO FELTRIN
secretário de Redação Folha Online

Apesar de dobrar para 900 o número de banheiros químicos instalados na 5ª Virada Cultural, a prefeitura não conseguiu evitar cenas de escatologia e horror nas ruas do centro de São Paulo, percorridas pela Folha Online neste domingo.

Nos três maiores palcos visitados, os banheiros químicos entraram em colapso, provocando fedor e muitas queixas de frequentadores.

Virada tem caos nos banheiros e garoto vendendo bebidas alcoólicas

Folha Online
Lixo se acumulou pelas ruas do centro de SP por causa da Virada Cultural
Lixo se acumulou pelas ruas do centro de SP por causa da Virada

A prefeitura diz que o lixo "está sendo recolhido", mas há "bolsões" de sujeira e pessoas caídas (dormindo ou bêbadas) em dezenas de ruas do centro, especialmente no entorno do Arouche, República e praça Júlio de Mesquita.

Uma das esquinas da rua do Arouche com a República virou um depósito de garrafas pet. Há também lixo concentrado em outros locais, como a rua Dom José de Barros, praça Dom José Gaspar e calçadão da rua Itapetininga.

Banheiro a R$ 2

O mau cheiro de urina é impressionante em ruas como a Vicente de Carvalho e Timbiras. Alguns donos de bares da rua Aurora se aproveitaram da situação e passaram a cobrar até R$ 2 para ceder seus banheiros.

"Fui uma vez ao banheiro do bar, paguei R$ 1 e ele estava pior ainda que este aqui. Se é para pagar por lixo uso este aqui", disse a fisioterapeuta Camila Quatroni Ferreira, 29, após deixar um banheiro químico no largo do Arouche.

Folha Online
Poças de urina se acumulavam em frente aos banheiros químicos
Poças de urina se acumulavam em frente aos banheiros químicos

"É uma coisa medonha, de assustar mesmo", afirma indignada Alzenir Arruda, 37, ao deixar outro banheiro químico, na São João.

Professora de educação infantil, Alzenir disse que só usou o banheiro na manhã deste domingo porque chegou "ao limite" do tolerável. "Estou apertada desde as 8h, tive de usar agora [12h10], mas usei porque não tinha jeito. Prendi a respiração, entrei e saí correndo. Está nojento demais", afirmou.

Também enojada estava Tatianne Santos, estudante de direito na Fadi Sorocaba, que viajou por causa da Virada. "Não dá para descrever como está aí dentro", disse sobre um banheiro químico na esquina da Aurora com São João.

"Não dá pra usar nenhum banheiro químico desde a madrugada", segundo o professor de geografia William Oliveira, 23. Ele apontou uma das causas do mau cheiro insuportável na altura do nº 50 da São João: enormes poças de urina.

No vale do Anhangabaú, apesar de haver banheiros químicos nas imediações, dezenas de pessoas também urinavam em postes, árvores e outros monumentos públicos.

Durante a madrugada, segundo a Folha Online presenciou, a esquina da São João com Aurora virou uma espécie de "mictório a céu aberto". A reportagem também flagrou jovens no viaduto do Chá urinando sobre pessoas que passavam abaixo.

Outro lado

Ao ser questionado sobre o excesso de lixo e a reduzida equipe de limpeza nas ruas de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou que o problema "está sendo solucionado".

Ouça o comentário do prefeito Gilberto Kassab:

Kassab fala sobre lixo na Virada Cultural

"São esses aspectos que, a cada Virada, nós melhoramos. Tudo será fruto de avaliação, seremos muito detalhistas com esses aspectos, porque o que a gente quer é que, a cada ano, seja uma Virada melhor", disse Kassab.

O prefeito nega que haja problemas na limpeza das ruas. "O lixo está sendo recolhido, nós temos essas informações", disse à reportagem.

Na Itália

Não é apenas em São Paulo que grandes concentrações de pessoas geram lixo e mau cheiro. Até no funeral do papa João Paulo 2º, em 2005, no Vaticano, as ruas foram tomadas por sujeira.

Colaborou ANDRÉ MONTEIRO, colaboração para a Folha Online

Comentários dos leitores
Paulo ShueguerHeguedusch (1) 05/05/2009 02h39
Paulo ShueguerHeguedusch (1) 05/05/2009 02h39
"Me senti em um filme futuristico, onde não existe Governo. Uma coisa bem underground."
A policia não se dividia no evento, andavam de 30 em 30.
Presenciei um arrastam ao lado da base da policia com as ambulâncias.
Um rapaz além de ser roubado, foi extremamente espancado, há 10 metros de inúmeros policiais.
Comuniquei a um policial, ele simplesmente disse não poder fazer nada, não socorreu o rapaz jogado no chão, que estava apenas de shorts após o roubo, e sequer cogitou a idéia de policiar a rua onde os assaltantes estavam agindo. Foi a cena mais covarde que já presenciei, e infelizmente o rapaz machucado ao chão estava sozinho, pois nem a policia se importou com o fato.
21 opiniões
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Fabio Anderson (1) 04/05/2009 23h22
Fabio Anderson (1) 04/05/2009 23h22
Virada Cutural, nunca mais!!! Sempre fui favorável a esse evento cultural, mas fui vítima de violência gratuita por um grupo de adolescentes que chutaram e bateram no banheiro químico que eu utilizava somente pelo prazer de se divertir com esse ato covarde. Ao sair do banheiro fui humilhado com todo tipo de piada, e não pude fazer nada, pois fiquei com receio de que estivessem armados e eu pudesse perder a vida ali mesmo. Não havia um policial no momento, inclusive fizeram até piada com isso. Só sei que me decepcionei muito, mão conseguiaa mais curtir a festa e fui tomado por um medo absurdo. Tentei ficar na parte eletrônica, mas o clima tava muito pesado e não conseguia relaxar. Infelizmente esse evento não conta mais com meu apoio. Acho que o Estado deve gastar todos os seus esforços em educar o povo antes de lhe oferecer cultura. Num país miserável como o nosso, não enxergo mais perspectiva de que haja uma mudança significativa na educação. Vou me recolher e adotar um pensamento reacionário, e dizer que se dane a cultura. 5 opiniões
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Jacqueline Viegas Estevam (1) 04/05/2009 18h12
Jacqueline Viegas Estevam (1) 04/05/2009 18h12
AHAH ah tá, ele quer proibir SÓ o vinho (porque espirraram nele, claro)? Vodka, pinga e derivados, não, né? Enfim, tenho muito o que reclamar da virada cultural (gente bêbada, locassa, briga, baixaria, etc), mas reclamaria mais se não tivesse - e tenho certeza que é o que faria a maioria. Ainda há muito o que ajustar; do ano passado foi pior que desse ano, e a do ano que vem será melhor ainda. Apesar de eu adorar beber, sou a favor de proibirem a venda e consumo de bebida alcoólica na virada, já que tem gente que não sabe se portar. Evitei o show do Matanza, por exemplo, que gosto muito, porque sabia o tipo de pessoal que ia ficar por lá (dito e feito, pelo que me contaram depois). Aliás, a mídia é fogo: maquiaram a virada como se tudo tivesse sido lindo e maravilhoso! Que feio. Ah, defendo que a virada deva ser só no centro mesmo, porque já é difícil acompanhar vários shows que se queira ver quando são próximos, imagina um na USP leste a 00:00 e outro na Cidade Universitária as 2:00? Não tem cabimento, o pessoal ia gastar dinheiro e tempo demais pegando condução. E parabéns ao autor que escreveu esse texto com o título de notícia (sem muito a ser, levando-a mais pro lado irônico). sem opinião
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