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19/12/2005 - 11h13

Spielberg fala à "Time" sobre "Munique"

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da Efe, em Los Angeles

Steven Spielberg, 59, o diretor que semeou o terror com "Tubarão", emocionou o público com "E.T. - O Extraterrestre" e o entreteve com "Indiana Jones", agora gera polêmica com "Munique", filme que parte das sangrentas Olimpíadas de 1972.

Em sua única entrevista concedida à revista "Time", o diretor americano garante que seu novo filme, previsto para estrear no dia 23 de dezembro nos Estados Unidos (e dia 27 de janeiro no Brasil), é "uma oração pela paz".

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Filme estréia em janeiro nos cinemas brasileiros
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Apesar de suas intenções, a chegada do filme às telas é acompanhada por uma polêmica que a imprensa compara com a gerada há quase dois anos pela estréia de "A Paixão de Cristo".

Com base no livro "Vengance", de George Jonas, Spielberg faz de "Munique" um thiller sobre o terrorismo. Com o atentado palestino como partida, o diretor detalha a operação contra-terrorista chamada de "A Ira de Deus", com a qual o governo israelense de Golda Meir financiou o assassinato dos responsáveis pelo Setembro Negro.

Spielberg começa o filme com a frase "inspirado em fatos reais". Ele afirma ter se baseado em outras fontes além do livro "Vengance" --entre elas, o testemunho do próprio Avner, papel central do filme, interpretado por Eric Bana.

Ainda assim, "Munique" é o que a revista "Entertainment Weekly" descreveu como uma história de "judeus caçando palestinos dirigida por um judeu". E pouco parece ter ajudado aos dois lados a dedicação que o cineasta mostrou antes ao abordar temas históricos como em "A Lista de Schindler".

Durante a filmagem de "Munique", cercada de segredos para evitar um escândalo, Spielberg conseguiu unir os dois lados em um mesmo protesto. Spielberg recebeu críticas de Abu Daoud, líder do grupo palestino Setembro Negro, que deixou sua marca sangrenta no dia 5 de setembro de 1972, e também do ex-chefe do Mossad, serviço secreto israelense, Zvi Zamir.

O cineasta sabia da polêmica na qual estava entrando com "Munique", de duas horas e meia de duração e no qual seu interesse é mostrar o lado humano de todos os envolvidos, vítimas e carrascos de ambos os lados, em meio à violência.

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Longa fala sobre retaliação do Mossad
Longa fala sobre retaliação do Mossad
De fato, "Munique" é um projeto que Spielberg só aceitou depois de trabalhar cerca de dois anos no roteiro com o autor teatral e vencedor do prêmio Pulitzer Tony Kushner. Além disso, o diretor, que se tornou um dos pilares de Hollywood graças à sua habilidade para entreter o público, buscou toda a ajuda possível para controlar as reações em relação a seu filme político.

Spielberg consultou o ex-presidente americano Bill Clinton e Dennis Ross, ex-enviado da Casa Branca ao Oriente Médio. Ele também contou com a ajuda de Allan Mayer, especialista de Hollywood em controlar crises e escândalos.

Parte deste controle pôde ser notada por um período de filmagem mais curto do que o normal para Spielberg, que rodou "Munique" em Malta, Hungria, França e Nova York. Ao todo, foram três meses de filmagens, em que apenas os atores principais, incluindo o novo James Bond, Daniel Craig, puderam ler a cópia inteira do roteiro.

Com a exceção de sua breve e cuidadosa entrevista à revista "Time", o cineasta se negou a falar com a imprensa para deixar que o filme, com orçamento de US$ 70 milhões, "fale por si mesmo".

Em um comunicado para os meios de comunicação, ele apenas reiterou seu desejo conciliatório com este filme. "Podemos aprender algo importante sobre a trágica situação na qual nos encontramos agora", ressaltou.

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