Ilustrada
06/01/2006 - 11h20

Produtores e DJs apresentam tecno minimalista

THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

Se no final dos anos 50 e começo dos 60 gente como Donald Judd, Dan Flavin e Sol LeWitt decidiram questionar o padrão de pintura e escultura com obras que foram classificadas como minimalistas, produtores e DJs utilizam hoje idéias semelhantes para abrir caminhos na eletrônica. Os conceitos minimais serão bastante ouvidos neste começo de ano nos clubes de São Paulo. Hoje o Lov.e terá como atração o chileno Luciano; amanhã, o D-Edge recebe o top alemão Michael Mayer.

Materiais industriais, trabalhos dispostos em espaços regulares, obras simétricas e exibidas sem adereços. Assim se estruturavam, segundo David Batchelor, em seu ensaio sobre minimalismo (ed. Cosac & Naify), os trabalhos daqueles artistas nova-iorquinos. Composições em que as harmonias são dispostas como módulos, batidas em formato bruto, despidas de qualquer adereço, canções feitas a partir da repetição de melodias. Assim é o método de criação do tecno minimalista que já vem sendo produzido há algum tempo e deve se popularizar definitivamente neste 2006.

Depois das apresentações paulistanas de Luciano e Mayer, será a vez, na semana que vem, da polonesa Magda (D-Edge) e do alemão Steve Bug (Lov.e). Em fevereiro, vêm os canadenses Mathew Dear e Richie Hawtin.

Além desses, o chileno Ricardo Villalobos e os canadenses Akufen e Matthew Jonson são nomes que vêm desenvolvendo o estilo. E conhecidos DJs de tecno, como Adam Beyer, Chris Liebing, Sven Väth e Marco Carolla, e até da melódica progressive house, como Sasha e John Digweed, têm imprimido o minimal em seus sets.

"Fiquei surpreso de ver DJs de tecno mais pesado tocando minimal. Não houve grandes desenvolvimentos dentro de alguns estilos da eletrônica, então acho que essas pessoas ficaram entediadas e procuraram algo mais interessante, inovador", opina Mayer, que é sócio da Kompakt (www.kompakt-net.de), gravadora referência no assunto, autor do importante CD "Touch" e "descobridor" do brasileiro Gui Boratto, que teve um disco lançado pelo selo. "A cena do tecno minimal é criativa, com vários selos, artistas e caminhos a seguir."

Para o alemão, o gênero é uma espécie de essência da música eletrônica. "Tenho a impressão de que o minimal é a música perfeita para se começar a produzir. Quando você entender o minimal, entenderá a estrutura da dance music. A house, por exemplo, utiliza elementos tribais, latinos, da soul music; no minimal isso não existe. É a mais universal das linguagens da dance music."

Novas tecnologias, novos instrumentos e novos softwares são, para Luciano, alavancas que ajudam o gênero a crescer: "Não que o tecno minimal esteja trazendo algo novo, mas mostra um jeito diferente de produzir e de olhar a música. Uma dimensão nova".

Luciano
Quando: hoje, a partir das 23h30
Onde: Lov.e (r. Pequetita, 189, Vila Olímpia, SP; tel. 0/xx/11/3044-1613)
Quanto: de R$ 25 a R$ 50

Michael Mayer
Quando: amanhã, a partir das 23h30
Onde: D-Edge (al. Olga, 170, Barra Funda, SP; tel. 0/xx/11/3666-9022)
Quanto: R$ 30

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