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18/05/2009 - 14h13

Loucura, sexo e mutilação de Lars Von Trier chocam Cannes

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da France Presse, em Cannes

O mestre do escândalo dinamarquês Lars Von Trier conseguiu mais uma vez: deixou em estado de choque a plateia de críticos de Cannes com seu novo filme, "Antichrist", um suspense sobre amor e loucura que abusa de cenas de sexo explícito e mutilação.

Willem Dafoe e a francesa Charlotte Gainsbourg, com performances poderosas, contam a história de um casal que se isola em um chalé distante para tentar superar a morte do filho bebê.

Divulgação
Cena do filme "Antichrist", de Lars Von Trier, que chocou a plateia no Festival de Cannes
Cena do filme "Antichrist", de Lars Von Trier, que chocou a plateia no Festival de Cannes

A primeira cena é um close-up em câmera lenta de penetração sexual, que evolui para uma dramática sequência de violência e termina com uma chocante visão de Gainsbourg extirpando seu clitóris com uma tesoura.

"Isso é um pesadelo sobre culpa, sexo e outras coisas", resumiu o diretor, de 53 anos, falando para uma plateia visivelmente chocada e hostil ao seu novo filme, que faz parte da seleção oficial do festival.

Von Trier, que no ano 2000 saiu de Cannes com a Palma de Ouro por "Dançando no Escuro", explicou que o filme foi como uma terapia para ele, depois do colapso nervoso que sofreu dois anos atrás. Para ele, essa obra é a mais importante de sua carreira.

Questionado sobre a razão de ter produzido um trabalho visualmente tão violento, o diretor não pensou duas vezes: "Eu não acho que deva uma explicação a ninguém. Fiz (o filme) para mim mesmo."

"É a mão de Deus", acrescentou, com um sorriso sarcástico. "E eu sou o melhor diretor do mundo!"

Imaginário gótico, referências a perseguições de bruxas na Idade Média e alucinações apavorantes de animais falantes se combinam para criar uma atmosfera de assombro e escuridão ao longo do filme.

Os críticos de Cannes se dividiram entre reações de amor e ódio a "Antichrist".

"Era insuportável. Eu odiei. É misógino, e vai ser um escândalo", comentou Victor Saint-Macary, do estúdio Gaumont, que assistiu à pré-estreia nesta segunda-feira.

Outros, como o suíço Marc Bahud, estavam extasiados.

"É fascinante, algo de total beleza", elogiou. "É muito, muito louco. Há algumas coisas muito difíceis. Mas é assim mesmo. É a exploração de uma alma torturada".

Com relação à cena mais perturbadora de todas --a mutilação genital de Gainsbourg--, Von Trier respondeu que "não mostrar isso para mim seria como mentir. Veio naturalmente."

Von Trier insiste que não é um misógino, e que apenas acha a sexualidade feminina "assustadora".

 

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