Saiba mais sobre a carreira do músico Zé Rodrix
da Folha Online
O cantor e compositor Zé Rodrix, 61, morreu na madrugada desta sexta-feira (22), em São Paulo. O músico se sentiu mal em casa e foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas. O hospital ainda não confirmou a causa da morte.
Veja imagens da carreira de Zé Rodrix
| Divulgação |
![]() |
| Zé Rodrix foi quem compôs "Casa no Campo", música famosa na voz de Elis Regina |
Multi-instrumentista (piano, acordeom, flauta, bateria, saxofone e trompete), compositor de jingles e publicitário, Rodrix estudou no Conservatório Brasileiro de Música e na escola Nacional de Música, onde aprendeu teoria musical, harmonia e contraponto.
Em 1967, participou do Festival de Música Brasileira da TV Record, acompanhado de Marília Medalha, Edu Lobo e o Quarteto Novo, com a canção "Ponteio".
Nos anos 70, integrou o progressivo Som Imaginário, mas continuou compondo. "Casa no Campo", composição sua e do músico Tavito, ganhou o Festival de Juiz de Fora, em 1971, e fez muito sucesso na voz de Elis Regina. Outro sucesso seu foi "Soy Latino Americano".
Ao lado de Sá e Guarabyra, Rodrix se consagrou como um dos ícones do chamado "rock rural". Os músicos foram responsáveis por um famoso jingle da Pepsi na década de 1970, conhecido pela estrofe "só tem amor quem tem amor pra dar".
O artista, que morreu nesta sexta-feira em São Paulo, também atuou no grupo Joelho de Porco e, entre outras atividades, lançou o livro "Diário de um Construtor do Templo" (1999).
No início dos anos 2000, o músico causou polêmica ao revelar, em uma entrevista, que era maçom. Zé Rodrix chegou a lançar uma trilogia de livros sobre a maçonaria.
Veja a discografia de Zé Rodrix
1968: Momento Quatro - com Momento Quatro
1970: Som Imaginário - com Som Imaginário
1971: Passado, Presente & Futuro - com Sá, Rodrix e Guarabyra
1973: Terra - com Sá, Rodrix e Guarabyra
1973: I Acto
1974: Quem Sabe Sabe Quem Não Sabe Não Precisa Saber
1976: Soy Latino Americano
1976: O Esquadrão da Morte - Trilha Sonora do Filme
1977: Quando Será?
1979: Hora Extra
1979: Sempre Livre
1983: Saqueando a Cidade - com Joelho de Porco
1988: 18 Anos Sem Sucesso - com Joelho de Porco
2001: Outra Vez na Estrada - Ao Vivo - com Sá, Rodrix e Guarabyra
2008: Amanhã - com Sá, Rodrix e Guarabyra
Leia mais
- Ouça os principais sucessos de Zé Rodrix
- Morre o músico Zé Rodrix, aos 61 anos, em São Paulo
- Velório de Zé Rodrix acontece nesta sexta-feira em São Paulo
Leia outras notícias de Ilustrada
- Amy Winehouse cancela show em Londres
- Bruce Springsteen fará últimos shows de estádio nos EUA
- Morrissey, ex-Smiths, completa 50 anos nesta sexta-feira
Especial
Livraria



Por exemplo, Guernica obra de Picasso (ou de qualquer outro artista que já não esteja mais conosco), tenho uma cópia deste quadro em um local que frequentemente olho, ao observa-lo sempre fico imaginando no que o autor estava querendo expressar, ou no que pensava quando o havia pintado, para minha infelicidade, nunca terei certeza no que ele estava pensando, assim como algumas diversas músicas e justamente a trilogia que este mestre da literatura nos deixou...
Fico triste de não ter tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. É com certeza uma grande perda para a sociedade...
avalie fechar
avalie fechar
Quando você nos encontrou (a convite do Sonekka) na casinha de azul desbotado na Caiubi 420, éramos apenas crianças musicais. Não no sentido criativo, pois você mesmo dizia que naquele dia ouviu cerca de 20 canções "absolutamente irretocáveis" nas exatas palavras suas. Mas éramos crianças sim, no sentido de que nós nunca tínhamos estado diante de um gênio.
Sua chegada foi totalmente arrebatadora! Mudou tudo! Mudou nossa vida, nossa visão da música, ampliou nossos sentidos até o limite do inimaginável! Nos abraçou como só os grandes sabem fazer. Falava de nós em todos os lugares por aonde ia e isso fez com se aproximassem de nós outros criadores maravilhosos que só em disco conhecíamos. Você nos trouxe outro mestre querido, o Tavito.
Hoje sabemos que sua contribuição foi impagável. Nunca poderemos agradecer o suficiente.
Mas fora a contribuição profissional, a sua generosidade foi ainda além... Nos tornamos seus amigos. Nos últimos tempos você sempre dizia que a melhor coisa que o Clube Caiubi te trouxe foram os amigos. Como dizia também, que ha muitos anos você não tinha turma e que éramos a "sua turma".
E foram muitas as risadas nas mesas dos bares por onde passamos, nos teatros e em todos os palcos onde estivemos juntos, direta ou indiretamente, sob a sua batuta... Como curador, amigo, parceiro, diretor ou simplesmente como quando você se sentava na platéia pra ouvir nossos shows. Zé Rodrix na platéia não é pra qualquer um! A gente se orgulhava. Eu me orgulhava.
Zé Rodrix, você é um louco! No melhor sentido que esse adjetivo confere aos gênios. Um incendiário, um incansável, um rebelde... A criatura mais absurdamente inteligente e culta que já tive a oportunidade de conhecer sobre a Terra. Sabe de tudo, discute sobre vários assuntos com desenvoltura, fala varias línguas. É controverso, polemico e louco... Só mesmo um maluco beleza", como ouvi a Julia te chamar, pra se juntar a nós, um bando de ilustres desconhecidos com o sonho de fazer musica. Não qualquer musica, a nossa musica "autoral". Alcunha que ganhamos numa de suas entrevistas, se não me engano. Sonho que você sonhou, musica que você compôs com a gente.
Escrevo essas palavras, no momento exato em que sua (nossa) família e muitos de nossos amigos (nossa família) dizem o ultimo adeus ao seu corpo físico. Momento que eu, num primeiro ato de rebeldia contigo, me recuso a participar. Não digo essa palavra, não direi.
Você ainda me deve a gravação da ultima canção que falta no meu disco, que a gente tinha combinado de fazer ontem. Como você pode me dar o cano? Justo você, padinho! Justo você que me dizia pra eu responder que sim, quando os jornalistas me confundiam, por causa do nosso Rodrigues, e perguntavam se eu era uma de suas filhas. Justo você que me adotou, mesmo quando eu não estava à altura de ser sua afilhada? Mas que pacientemente me ensinou tantas coisas sobre a vida, sobre a musica e sobre um dos nossos assuntos preferidos, a magia.
Eu me recuso, mestre! O Max ligou aqui pra gente ir te ver hoje, mas eu me recuso! Pela primeira vez em tantos anos você faltou. Ontem te dei as costas quando você entrou no salão e enquanto todos os amigos te cumprimentavam, eu mantinha a distancia. Em vez de percorrer o espaço com os olhos te procurando, eu te evitei. Não fui ao seu encontro te abraçar como sempre fizemos... chamando "padinho" e você respondendo "minha linda".
Não fui porque você nos dizia sempre que "cada um faz o que quer, pode e consegue..."
Até a próxima segunda, na nossa maçonaria musical. E sei que sua presença é certa, pois sua generosidade não tem fim...
Lis Rodrigues
Postado por Rolan Crespo em 23.05.2009
avalie fechar