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Ilustrada
22/05/2009 - 10h02

Reverência a Chico Buarque marca o longa "Budapeste"

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CRISTINA FIBE
da Folha de S.Paulo

Walter Carvalho e Chico Buarque construíram juntos "Budapeste", um filme, diz o diretor, "completamente fiel" à obra do escritor, lançada em 2003. Com roteiro de Rita Buzzar --que comprou os direitos do livro--, interferências de Carvalho e muitas consultas ao autor do original, o filme, que estreia hoje nos cinemas, tem a marca da reverência a Chico.

Divulgação
Leonardo Medeiros e a atriz húngara Gabriella Hamori em cena de "Budapeste"
Leonardo Medeiros e a atriz húngara Gabriella Hamori em cena de "Budapeste"

Apesar de terem sido feitas algumas modificações, "nada sai do universo" do livro, diz Rita. "Chico foi muito generoso ao ir conversando. Ele não muda nada, não diz "não quero isso", mas vai falando "achei bárbaro" ou "não, por que você está fazendo isso?'", acrescenta.

Homenageado com uma participação "hitchcockiana" no filme --em que fala em húngaro-- e versão de "Feijoada Completa" na língua estrangeira, o músico foi o primeiro espectador de "Budapeste", que viu "antes de qualquer pessoa no mundo", diz Carvalho, 62.

"Havia coisas que ele não sabia que eu tinha feito, e minha expectativa de saber o que ele ia achar era grande. Não mostrei para mais ninguém, se o Chico não gostasse, eu ia ter que..." Mas ele "ficou encantado", afirma o diretor. "O livro é um livro que eu não escreveria, e o filme é um filme que o Chico não faria. Nós dois, juntos, construímos um filme."

O desafio maior foi traduzir em imagens os conflitos internos de um protagonista "duplo", José Costa, um ghost-writer em conflito que acaba encontrando na Hungria, onde vai parar sem querer, outro idioma, outra mulher, outro filho, outro escritor.

"Eu sou o José Costa"

Entre as marcas que Carvalho imprimiu na sua versão está a aparição de uma câmera na cena final, com o diretor cortando a ação. "No fundo, sou o José Costa", brinca. "Digo ao espectador que ele viu o filme enquanto ele acontecia. Assumo que sou o ghost-writer do próprio filme."

Mas o protagonista de fato é vivido por Leonardo Medeiros, 44, que trocou três vezes de professor para aprender as suas falas em húngaro. "Eu sabia o que estava falando, com uma assessoria de pessoas me ensinando o sotaque, onde se acentuam as palavras. E estou presente quase o filme inteiro, filmava diuturnamente, e quando terminava ia para o hotel estudar as falas do dia seguinte. Para mim, foi uma guerra."

Ao lado dele, na Hungria, esteve Gabriella Hámori, atriz local escolhida para interpretar Kriska, que ensina a língua a um apaixonado Costa. Gabriel-la interpreta uma das personagens femininas que tiram a roupa no filme, como Giovanna Antonelli, que faz a mulher brasileira de José Costa.

Carvalho defende a nudez dizendo que ""Budapeste" tem três vezes o sexo de frente para a câmera, mas ninguém vê. Há uma proteção. [...] A beleza está em qualquer lugar, depende de como você olha". Chico, pelo menos, ficou satisfeito.

BUDAPESTE
Produção: Brasil/Portugal/Hungria, 2009
Direção: Walter Carvalho
Com: Leonardo Medeiros, Gabriella Hámori e Giovanna Antonelli
Onde: estreia hoje nos cines Cidade Jardim, Reserva Cultural e circuito
Classificação: 16 anos

 

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