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20/01/2006 - 09h39

Em NY, Rolling Stones dão uma prévia do show do Rio

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LEILA SUWWAN
da Folha de S.Paulo, em Nova York

No gigantesco telão surge a ruidosa e hipnotizante explosão que originou o universo --o Big Bang. E no palco escurecido surgem Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood causando ainda mais estrago com a música "I'm All Right" e cumprindo a promessa do nome do novo álbum: "A Bigger Bang".

Assim começou o show dos Rolling Stones em Nova York na última quarta-feira, na segunda etapa da turnê mundial que levará a banda ao Rio de Janeiro em 18 de fevereiro para um show gratuito na praia de Copacabana. Em plena forma frenética e provocante, a banda inglesa tocou mais de 20 músicas por duas horas para cerca de 15 mil fãs de todas as idades no Madison Square Garden.

Mas do álbum lançado em setembro do ano passado, foram apenas quatro --estrategicamente salpicadas entre o repertório clássico e seguidas de hits dos Stones para não deixar a energia cair. Antes de "A Bigger Bang", a banda não lançava disco com novas gravações desde 1997.

Das 16 faixas do novo álbum, os Stones tocaram apenas "Oh No, Not You Again", "Rain Fall Down", "This Place Is Empty" e "Rough Justice". Deixaram de lado o hit comercial "Streets of Love" e o polêmico "Sweet Neo Con".

"Tio" Jagger, 62, de calças apertadas e blazer de paetês pretos, só parou depois de cinco músicas para conversar com o público, tomar fôlego e assumir o teclado para a música "Worried About You". Seguida de um dos lançamentos "Rain Fall Down", o resultado foi decepcionante: metade do estádio acabou sentado.

Não demorou muito para o astro pegar a gaita, voltar à guitarra e avançar sobre o público. A platéia voltou a pular com o dueto picante de "Gimme Shelter" com a backing vocal Lisa Fisher.

Irreverente --comeu uma banana e fumou um cigarro no palco-, o guitarrista Keith Richards tomou o microfone para comandar o espetáculo com um solo: "This Place Is Empty without You", do álbum novo, e "Happy". Com Jagger ausente, Richards não desagradou o público como vocalista. Nas arquibancadas, os fãs iniciaram um coro incessante: "Keith! Keith! Keith!".

Palco móvel

Em mais um de seus vários modelitos extravagantes e com brilhos, Jagger retorna à cena e coloca o estádio para cantar com "Miss You" no ponto alto do show: a parte central do palco começa a avançar sob trilhos para o meio da arena, levando a banda 50 metros dentro da platéia.

O chamado "palco B" também será utilizado em Copacabana, onde a arena central terá 22 metros de altura e 57 metros de largura. Dezesseis torres de som e imagem serão erguidos na orla a partir da altura do Copacabana Palace, prometem de antemão os organizadores.

Será o terceiro show dos Rolling Stones no Brasil, depois que as turnês "Voodoo Lounge" (em 1995) e "Bridges to Babylon" (em 1998) passaram pelo Rio e por São Paulo.

A turnê de "A Bigger Bang" começou em maio do ano passado, enquanto a banda ainda finalizava o disco. Passará pela América Latina em fevereiro e pela Europa a partir de abril.

Em Nova York, a banda de abertura foi o Metric, rock indie de Toronto, e os ingressos custavam de US$ 65 a US$ 455 (R$ 151 a R$ 1059). No show do Rio, abrirá o AfroReggae (banda formada em Vigário Geral).

Hits no final

O palco recuou novamente ao som do rock blues de "Honky Tonk Woman", e Jagger vestiu um chapéu estilo gângster para engatar em seqüência três sucessos: "Sympathy for the Devil", "Start Me Up" e "Brown Sugar", enquanto a clássica língua dos Rolling Stones no telão indicava o fim.

A banda não espera a platéia gritar muito para voltar com força --e Jagger com suntuosa camisa fúcsia de cetim-- para tocar "You Can't Always Get what You Want". Ainda marchando furiosamente e rebolando maliciosamente de um lado a outro do palco como se o show acabasse de ter começado, Jagger, 62, encerrou o show com "Satisfaction". E a produção fecha com mais um último "Bang": uma enorme explosão de serpentinas do teto do Madison Square Garden, cobrindo toda a pista com o emaranhado de néon colorido.

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