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Ilustrada
29/06/2009 - 19h38

Conglomerado de mídia influenciou carreira de Arnaldo Bloch

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TERESA CHAVES
Colaboração para a Folha Online

Arnaldo Bloch, 44, não é um homem de poucas palavras. Muito pelo contrário: utiliza três meios de comunicação diferentes para poder contar tudo o que vê pelo mundo, o que pensa e a maneira como se surpreende com as coisas ao seu redor. Alguns poderiam argumentar que o impulso quase frenético de se comunicar é genético: Arnaldo é sobrinho-neto de Adolpho Bloch, que liderou o grupo de comunicação que um dia editou a revista "Manchete" e criou uma emissora de TV.

Talvez a vontade de escrever estivesse mesmo no sangue, ele não nega; mas nunca quis ser reconhecido apenas pelo sobrenome famoso ou pelo poder que um dia sua família exerceu. Seja em seus livros, em colunas para jornais ou em seu blog Arnaldo Bloch deixa claro que o que quer mesmo é provocar o debate. De todas as formas possíveis.

Fotomontagem Folha Online
A linguagem ácida e irônica é uma das características de Bloch
A linguagem ácida e irônica é uma das características de Bloch

Nascido em 1965, no Rio de Janeiro, desde menino quis ser escritor. Ou jornalista. Ou ambos. E além de ser escritor e jornalista, Bloch queria ser músico. Três atividades que, para ele, seriam completamente independentes uma da outra. Mas a vontade de ser escritor veio antes, o pai insistia nisso, e o estimulava contando histórias da família, sempre repletas de fatos curiosos e engraçados. O bisavô Joseph Bloch era dono de uma próspera gráfica em Kiev (Ucrânia), e veio para o Brasil fugindo das perseguições após a Revolução Russa de 1917. Os Bloch, judeus de origem ucraniana, chegaram ao porto do Rio de Janeiro em 1922, e se instalaram para ficar. As histórias que povoaram a imaginação de Arnaldo faziam parte de um certo folclore que cercava a família.

A influência das gráficas e redações da família, que ele frequentava desde pequeno, se fez sentir nos caminhos da sua profissão. Cursou jornalismo e comunicação social na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), fez estágios em revistas francesas, mas começou mesmo sua carreira como repórter e redator da revista "Manchete', onde trabalhou de 1987 a 1989. Essas primeiras experiências permitiram que, no início da década de 1990, o escritor-jornalista fosse trabalhar para o jornal "O Globo", onde permanece até hoje.

A carreira de jornalista começou a mudar de rumo, ele passou a assumir cargos administrativos e tornou-se chefe de redação e diretor executivo do jornal. Foi nessa época que escreveu seu primeiro romance, "Amanhã a Loucura" (Nova Fronteira, 1998). O livro conta a história de Aldo Maldoni, um homem que não sabe como veio ao mundo e escreve tudo o que se passa a sua volta em busca de pistas sobre sua origem. Estava lançada a ideia de desenterrar o passado por meio da escrita. A publicação de seu segundo romance, "Talk Show" (Cia. das Letras, 2000), o fez perceber que precisava largar o rumo administrativo que sua carreira estava seguindo para poder voltar a escrever. Tornou-se então repórter especial, e incorporou à rotina de jornalista a vontade de ser músico, blogueiro e desenhista (desenha em pastel, e muitas vezes usa seus trabalhos para ilustrar o blog).

É assim, se expressando em múltiplos meios, que ele exerce a liberdade que sempre quis para suas palavras. Afinal, jornalismo para ele não é um gênero literário, a não ser em casos muito especiais. Em sua coluna, se permite flertar com a literatura; em seu blog, discute tudo o que lhe chama a atenção --desde a música do compositor francês Claude-Achille Debussy até o barulho ensurdecedor da torcida num jogo do Botafogo, do qual é torcedor "doente".

Qualquer que seja a forma de publicação, Bloch não abre mão da linguagem ácida e irônica que é uma de suas maiores características. Sua crítica feroz ao filme "Tropa de Elite" (2007), de José Padilha, despertou a ira de muitos, mas provocou aplausos e um diálogo interessante com o ator Wagner Moura (que interpreta o Capitão Nascimento, personagem principal do filme). Ele respondeu ao artigo de Bloch em uma carta publicada na imprensa, levando adiante um dos maiores compromissos do jornalista: provocar o debate em seus leitores.

As muitas palavras de Bloch tomaram, em 2007, uma nova forma. Sem nunca esquecer o interesse pelas histórias de família, despertado pelo pai, ele decidiu escrever sua própria versão da saga dos antepassados que criaram um verdadeiro império da comunicação no Brasil. Para escrever "Os Irmãos Karamabloch" (Cia. das Letras, 2007), o autor foi até Jitomir, uma cidade no interior da Ucrânia, que guardava as verdadeiras origens dos Bloch. Foram sete anos de entrevistas, pesquisas e insistência para produzir um livro que não fosse nem uma exaltação nem uma crítica exagerada à família, já cercada de tantos mitos. Ele não os esconde, mas também não se centra neles. Escreveu um livro que apresenta as contradições, as glórias e fracassos do seu clã, sem poupar e sem crucificar ninguém. São as histórias que fizeram a fama e o ódio dos Bloch, contadas por um narrador-personagem que viu a ascensão --e principalmente a queda-- do império de comunicação no qual cresceu.

Fonte: Recanto das Letras; Tiro de Letra; "O Globo";

 

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