HQ mostra "submundo poderoso" de Copacabana
PEDRO CIRNE
colaboração para a Folha de S.Paulo
Há aquilo que está no cartão-postal: uma praia maravilhosa frequentada por pessoas lindas. Uma espécie de paraíso no litoral do Rio de Janeiro. Mas há, também, o que não está tão à vista assim: a violência, a prostituição, o lado que fica de fora quando o assunto é turismo. E é este o aspecto abordado pelo roteirista S. Lobo e o desenhista Odyr na HQ "Copacabana", que será lançada nesta quarta-feira (17) em São Paulo.
| Divulgação |
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| Imagem de "Copacabana"; HQ será lançada nesta quarta-feira pela editora Desiderata |
"Copacabana é uma praia esquizofrênica. Tem uma beleza bucólica, com uma vista maravilhosa, mas também um submundo poderoso, com a indústria do sexo funcionando à toda", diz o escritor da HQ, S. Lobo. "É meio dr. Jekyll e sr. Hyde. E esses dois lados se cruzam com muita naturalidade."
O livro aborda um momento complicado na vida de Diana, uma prostituta que, endividada, acaba metida em uma situação que envolve assassinato, roubo e perseguição. Ao redor de Diana estão prostitutas, gigolôs e outros frequentadores da noite carioca. "Fiz uma coleta muito extensa e pouco objetiva. Não fiz entrevista: fui conhecendo as pessoas", conta Lobo.
"Você senta em um bar ali na praia e alguém vem te abordar: garçom, prostituta, vendedor. Aí é só começar a ouvir as histórias, até ver quando elas estão acontecendo ou mesmo fazer parte delas." Lobo, que começou a trabalhar com quadrinhos editando a revista independente "Mosh!", conta que queria escrever roteiros de HQs, mas que não sabia exatamente o que narrar. O que lhe direcionou foram as caminhadas que fazia pelo Rio de Janeiro --embora gaúcho de Porto Alegre e já tendo morado em Santa Catarina e São Paulo, é em Copacabana que mais se sente em casa.
"Meu objetivo era mostrar a vida dessa gente que pouco vemos e que tratamos com preconceito. E essas pessoas que vivem à noite são como nós: estão aí batalhando pela sobrevivência", diz o roteirista. "As histórias dos ricos podem ser interessantes, mas são as das pessoas do submundo que me interessam mais".
Por retratar uma parte da indústria do sexo, o livro não se furta a mostrar o ato. "Eu não quis fazer um livro sobre sexo em que ele fosse sugerido. Ele tem que estar lá, à medida em que é necessário", diz Lobo. "Tento trazer a crueza que o sexo tem na vida real. Ele não é glamouroso."
COPACABANA
Autor: S. Lobo e Odyr
Editora: Desiderata
Quanto: R$ 39,90 (208 páginas)
Onde: lançamento nesta quarta, às 19h, na loja Cachalote (av. Ministro Ferreira Alves, 48, São Paulo, tel. 0/xx/11 3676-0796; grátis)


