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Ilustrada
27/06/2009 - 08h33

Com um time menos literário, 7ª Flip começa nesta quarta-feira

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MARCOS STRECKER
da Folha de S.Paulo
SYLVIA COLOMBO
editora de Ilustrada da Folha de S.Paulo

Um cantor, um biólogo, um historiador superstar, um jornalista da velha-guarda, um crítico de música erudita, uma artista plástica, uma crítica de arte, vários quadrinistas. A Festa Literária Internacional de Paraty, que chega à sua sétima edição na próxima quarta-feira, está menos literária?

O diretor de programação Flávio Moura discorda. "Essa é uma característica da Flip desde o início", disse. "Quem pensa na primeira edição (2003) logo se lembra de Eric Hobsbawm, que era historiador. A Flip tem o caráter de uma festa dos livros, é um evento cultural."

Optar por nomes que se notabilizaram fora do mundo literário talvez seja a forma de compensar a falta de estrelas da literatura. Certo, o português António Lobo Antunes fará uma visita histórica. Mas é o único ficcionista que pode-se dizer com carreira de peso. E é mais famoso no resto do mundo lusófono do que no Brasil.

Anne Enright, Edna O'Brien e James Salter são nomes premiados e reconhecidos. Mas estão longe do status de estrelas de primeira grandeza que já caminharam pelas ruas da cidade histórica, como Ian McEwan, J.M.Coetzee, Orhan Pamuk, Salman Rushdie, Toni Morrison, Nadine Gordimer, Paul Auster e Martin Amis.

Fogueira das vaidades

Se não representa propriamente o primeiro time dos romancistas contemporâneos, a seleção 2009 inclui nomes acostumados à fama que prometem mobilizar muitos fãs.

Estarão na festa nomes acostumados a viajar para falar a grandes públicos, que têm experiência em fazer debates-show e são recebidos com muita festa e atenção midiática.

Chicólatras não vão perder a segunda participação do cantor Chico Buarque na Flip (a outra foi em 2004).

Para quem é chegado em ciência, o neodarwinista Richard Dawkins desembarca embalado pelas comemorações do bicentenário de nascimento de Charles Darwin. Explicará seu ceticismo com a religião. Simon Schama, historiador pop e divulgador científico de sucesso na BBC, fala sobre os EUA da era Obama. Gay Talese, um dos papas do "new jornalism", discorre sobre literatura e sobre o futuro do jornalismo.

Uma mesa que promete é a do casal encrenca: a artista plástica Sophie Calle e o jornalista Grégoire Bouillier, ex-namorados, usam suas vidas privadas como fonte para prosas experimentais.

A crítica de arte Catherine Millet também deve fazer barulho --foi ela quem escandalizou a França com os relatos pornoconfessionais de "A Vida Sexual de Catherine M.", que vendeu mais de 1,2 milhão de exemplares.

Os fãs de HQ poderão ouvir os quadrinistas Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Grampá e Rafael Coutinho. Críticos do regime comunista e radicados no exterior, Ma Jian e Xinran discutem o futuro da China. Para quem gosta de música erudita, o crítico da "New Yorker", Alex Ross, fecha o time.

E, para lembrar que a festa também é literária, vale comentar o nome forte que deve defender a honra dos ficcionistas: António Lobo Antunes, que há mais de 25 anos não vem ao país. Polêmico, considera José Saramago um rival.

Menos autores

Sobre a diminuição do número de convidados (de 42 para 33), Moura diz que isso aconteceu apenas para abrigar melhor nomes consagrados, como Richard Dawkins --que fazem aparição-solo em suas mesas.

A Flip conseguiu projeção internacional pelas estrelas que frequentaram suas primeiras edições. Mas já entrou na agenda dos festivais literários internacionais? Influencia escritores, editores e agentes?

O agente literário Andrew Wylie, famoso por cuidar de autores como Philip Roth, diz que os escritores "adoram a Flip".

Anne-Solange Noble, diretora de direitos estrangeiros da editora Gallimard, diz que ouve falar do festival há bastante tempo, principalmente "pelos amigos ingleses", por causa da importância da fundadora Liz Calder. "Mas a Flip é conhecida sobretudo no mundo anglo-saxão. Se o festival deseja se desenvolver de uma forma realmente internacional, deve ficar aberto ao mundo 'não' anglo-saxão." Pura vaidade gaulesa.

Para a fundadora Liz Calder, que atualmente tem um papel de colaboradora e uma espécie de "cartão de visitas" da Flip, a festa "é respeitada porque aqueles que já participaram falam dela de forma calorosa". Segundo ela, Tom Stoppard, a estrela de 2008, "disse que recomendaria a Flip a todos os seus amigos". Ela lembra que algumas pessoas "diziam que o Brasil é muito distante e perigoso. Isso foi um problema no início, mas diminuiu".

Orçamento

Apesar do momento econômico difícil e da diminuição dos convidados, não se fala em crise. O diretor-geral da Flip, Mauro Munhoz, diz que o custo do evento será parecido com o de anos anteriores --cerca de R$ 3 milhões. Moura diz que "nenhuma questão orçamentária bateu na programação".

A Casa Azul, ONG que organiza a Flip, planeja reformar a praça da Matriz. A ideia é construir bancos e rampas de acesso, enquanto parte do piso será cimentado. Para o projeto, já foi aprovada a captação de R$ 900 mil pela Lei Rouanet.

Editoria de Arte/ Folha S.Paulo
 

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