"Charlie e Lola" invade o palco com magia em 2D
LÚCIA VALENTIM RODRIGUES
da Folha de S.Paulo
Atualizado em 09/11/2009 às 15h52.
Nada como um jovem pai para patrocinar um espetáculo infantil. Joaquim completou quatro anos em março; Benício tem um ano e sete meses. Durante uma viagem de férias em Londres, tendo de entreter as crianças, Luciano Huck entrou no teatro Polka para ver uma peça recomendada por um jornal local.
| Rafael Hupsel/Folha Imagem |
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| Baseada em desenho infantil e composta por bonecos manipulados, a peça foi trazida ao Brasil pelo casal Angelica e Luciano Huck |
Era "Charlie e Lola", baseada nos premiados livros da inglesa Lauren Child e produzida pela BBC. Ainda por cima, a história tinha o apelo de ser exibida no Brasil pelo Discovery Kids.
"Fiquei encantado com aquela experiência teatral tão lúdica. Então comprei os direitos para trazer para o Brasil", conta Huck, diretamente de um zoológico em Buenos Aires, onde novamente distraía seus pequenos. "Também acho legal ter uma referência do dia-a-dia deles por poderem ver personagens que conhecem da TV."
Como não tinha experiência em teatro, Huck se associou à produtora Aventura, que criou um braço para produções infantis. Para a direção, convidou o responsável pela montagem original: Roman Stefanski.
O inglês desembarcou em São Paulo há 20 dias para selecionar o elenco e familiarizá-lo com os bonecos. O tempo é curto. Até a estreia, no dia 4 de julho, no teatro das Artes (shopping Eldorado), terão sido só quatro semanas de ensaio.
Um aspecto importante é que os bonecos foram criados como são no desenho: em 2D, daí as preocupações com a posição de cada uma das mãos e o movimento dos olhos dos fantoches. "É isso que dá vida à encenação. Não adianta chacoalhar os bonecos. Você tem de passar alma para eles", comenta Stefanski.
Na história, a pequena Lola, de cinco anos, tem de arrumar seu quarto, mas se distrai com monstros, confusões e um amigo que só existe na sua cabeça, chamado Soren Lorenson, que aparece em versão cinzenta para separá-lo do "mundo real".
O paciente Charlie, o irmão de sete anos, é escalado para garantir o cumprimento da tarefa. Como no desenho, nenhum adulto aparece em cena.
Há ainda um apuro no texto e na linguagem, mantendo inclusive os erros infantis. "Nem sempre a gente consegue manter a graça do jeito de Lola falar. Algumas coisas se perdem na tradução. Em compensação, a manipulação é universal", compara o diretor Stefanski.
"A criança sempre te coloca com os pés de volta no chão. Mesmo no momento mais mágico da peça, ela pode se divertir enquanto disseca tudo o que está vendo no palco. É um público muito crítico", conta ele.
"Charlie e Lola, a Peça" custou R$ 1,5 milhão e vai cumprir temporada até novembro em São Paulo. Depois segue para o Rio. Mas as crianças ainda demoram a crescer. E então?
Huck pensa em adquirir um teatro para abrigar os futuros espetáculos. No radar, está o desenho brasileiro "Peixonauta", também do Discovery Kids, que estreou liderando o Ibope entre crianças de 4 a 11 anos.
As negociações ainda estão no começo. "Eu me animo por ser uma coisa 100% brasileira. Mas ainda estamos no zero, desenvolvendo o roteiro. Só depois vamos definir o formato."
Vai ser mais uma franquia da telinha para os palcos.
CHARLIE E LOLA, A PEÇA
Quando: de 4 de julho a 6 de dezembro; sáb. e dom., às 11h e às 16h
Onde: teatro das Artes - shopping Eldorado (av. Rebouças, 3.970, Cerqueira César, tel. 0/xx/11/3034-0075) Quanto: R$ 50 (R$ 25 na meia-entrada)
Classificação: livre (recomendado para crianças de três a nove anos)
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