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Trio Medeski Martin & Wood faz shows em SP
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da Folha de S.Paulo
Misturar acid jazz e rap nos anos 90 era o máximo da modernidade --os trintões devem se lembrar quão badalado foi o Free Jazz Festival de 1995, com US3, Digable Planets e Guru.
A moda passou, Guru, por exemplo, perdeu a mão, mas quem sabia fazer bem a coisa se deu bem. No caso do trio Medeski Martin & Wood, muito bem.
Paparicada pelo público e por publicações como a revista americana de jazz "Downbeat", que lhes rendeu uma capa cheia de elogios, a banda nova-iorquina está entre as poucas que agradam de roqueiros a jazzistas, passando por fãs de hip hop. Por isso é que, mesmo com apenas dois CDs lançados no Brasil --e um único show no país, em 1999--, os ingressos para sua primeira performance em São Paulo, dia 22, voaram. Para o dia 23, restam 30%.
Há 15 anos, o tecladista John Medeski, o baterista Billy Martin e o baixista Chris Wood eram três jovens músicos de Nova York, fãs de John Coltrane, que batizaram seu primeiro conjunto com o nome do ídolo: Coltrane's Wig. Mas o horizonte do trio logo se expandiu e, à influência de Coltrane, se juntaram rap, funk, rock, ritmos afro-brasileiros e cubanos.
Essa mistura os colocou entre os destaques da cena "avant-garde" nova-iorquina, cujo o epicentro hoje é o Tonic, um clube clássico da cidade, freqüentado por gente como os guitarristas Marc Ribot e Thurston Moore (Sonic Youth).
"Ir ao Tonic é como estar em casa", contou Martin, 42, à Folha. "É lá que nos reunimos para testar músicas novas, improvisar, experimentar", diz ele. Tanto é assim, que um dos 14 discos do trio se chama "Tonic".
Foi tocando em dezenas de palquinhos como esse nos Estados Unidos que os três conquistaram uma legião de jovens fãs e se esmeraram na arte da improvisação, o que torna os shows únicos.
"As apresentações [em São Paulo] serão totalmente diferentes uma da outra", afirma Martin. "Vamos tocar de tudo: músicas velhas, outras que estamos fazendo agora. Depende do que sentirmos no palco", explica o baterista.
"Tecnicamente, tocamos um pouco do que gravamos, mas, algumas vezes, mostramos arranjos totalmente novos. Outras, mudamos só um pouco", diz Martin.
Esse "espírito", em sua opinião, é o que atrai a moçada de 20 e poucos anos aos shows. "Acho que eles relacionam a forma como tocamos com o astral do que está ocorrendo agora."
"Temos o jazz em nossa linguagem mas também as influências do hip hop, e os jovens são mais receptivos a esse tipo de mistura. E gostam de dançar. Nossa música é bastante dançante."
Medeski Martin & Wood
Quando: quarta (22/3), às 21h, no Sesc Pompéia (r. Clélia, 93, Lapa, tel. 0/xx/11 3871-7700); quinta (23/3), às 22h, no Bourbon Street (r. dos Chanés, 127, Moema, tel. 0/xx/11 5095-6100) Quanto: R$ 15 (Sesc; esgotados) e de R$ 75 a R$ 125 (Bourbon)
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