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Ilustrada
03/07/2009 - 15h23

Mesa sobre avesso do realismo une afegão e brasileiro; Chico Buarque fala às 19h

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ANAÍSA CATUCCI
Colaboração para a Folha Online

Os escritores Atiq Rahimi (afegão) e Bernardo Carvalho fizeram um duelo interessante na segunda mesa da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) nesta sexta-feira. Sob o título "O avesso do realismo", ambos contaram como elaboram suas personagens, seus locais de cena para o texto, a própria ficção. A intermediação foi feita por Beatriz Resende.

Questionados sobre o papel da literatura nacional em seus países, os escritores discordaram na hora de responder. Para o afegão Rahimi, o fato de o autor estar em um local e escrever sobre outro é uma forma de levar a outras partes diferentes formas de literatura. Ele vê como uma invasão de formas e palavras, que vai além das fronteiras.

Philippe Wojazer/Reuters
Escritor afegão radicado na França Atiq Rahimi marcou presença na Flip
Escritor afegão radicado na França Atiq Rahimi marcou presença na Flip

Já Carvalho disse não acreditar nessa fronteira. Para ele, a introdução da literatura em outros países é mais difícil.

"Tem livro meu que já foi traduzido para outros idiomas, outros que podem vir a ser ainda. Mas tem um, por exemplo, que foi comprado pela Espanha há um tempão e até agora não foi lançado. Então não vejo necessariamente como simples essa coisa de ultrapassar fronteiras", disse.

Carvalho disse ainda estranhar como outros autores "podem" falar de lugares externos sem causar estranhamento, e citou exemplo de seu livro "Mongólia". "Se um autor americano escrever um livro sobre a Mongólia, ninguém se assusta nem fala nada. Agora, o Bernardo Carvalho falar sobre a Mongólia é estranho. Só que eu fui pra lá, onde fiquei dois meses, por que não posso escrever sobre a Mongólia, por que é estranho?

Filipe Redondo/Folha Imagem
Escritor Bernardo Carvalho posa para foto em sua casa em SP
Escritor Bernardo Carvalho posa para foto em sua casa em SP

Os dois autores também falaram sobre a tristeza que impõem a suas obras. Carvalho argumentou que simplesmente não consegue escrever com humor, que ele até gostaria de fazer um romance divertido, engraçado.

"Mas eu simplesmente não consigo", afirmou. Rahimi disse que na França, país onde vive, as pessoas sempre perguntam como ele pode ser tão alegre, feliz, um "bon vivant" e escrever sobre coisas tão tristes. "Eu sou mesmo muito alegre, um °bon vivant°, então uso o livro para colocar para fora toda a parte triste que há em mim.. É melhor que pagar um analista", disse.

Nesta quinta-feira, a Flip ainda contará com a presença da irlandesa Edna O°Brien, que falará com Liz Calder, às 15h, do mexicano Mario Bellatin, que participa de mesa com Cristovão Tezza às 17h e, às 19h, talvez a mais esperada das presenças ilustres: Chico Buarque, que divide a conversa com Milton Hatoum.

 

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