Mesa sobre avesso do realismo une afegão e brasileiro; Chico Buarque fala às 19h
ANAÍSA CATUCCI
Colaboração para a Folha Online
Os escritores Atiq Rahimi (afegão) e Bernardo Carvalho fizeram um duelo interessante na segunda mesa da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) nesta sexta-feira. Sob o título "O avesso do realismo", ambos contaram como elaboram suas personagens, seus locais de cena para o texto, a própria ficção. A intermediação foi feita por Beatriz Resende.
Questionados sobre o papel da literatura nacional em seus países, os escritores discordaram na hora de responder. Para o afegão Rahimi, o fato de o autor estar em um local e escrever sobre outro é uma forma de levar a outras partes diferentes formas de literatura. Ele vê como uma invasão de formas e palavras, que vai além das fronteiras.
| Philippe Wojazer/Reuters |
![]() |
| Escritor afegão radicado na França Atiq Rahimi marcou presença na Flip |
Já Carvalho disse não acreditar nessa fronteira. Para ele, a introdução da literatura em outros países é mais difícil.
"Tem livro meu que já foi traduzido para outros idiomas, outros que podem vir a ser ainda. Mas tem um, por exemplo, que foi comprado pela Espanha há um tempão e até agora não foi lançado. Então não vejo necessariamente como simples essa coisa de ultrapassar fronteiras", disse.
Carvalho disse ainda estranhar como outros autores "podem" falar de lugares externos sem causar estranhamento, e citou exemplo de seu livro "Mongólia". "Se um autor americano escrever um livro sobre a Mongólia, ninguém se assusta nem fala nada. Agora, o Bernardo Carvalho falar sobre a Mongólia é estranho. Só que eu fui pra lá, onde fiquei dois meses, por que não posso escrever sobre a Mongólia, por que é estranho?
| Filipe Redondo/Folha Imagem |
![]() |
| Escritor Bernardo Carvalho posa para foto em sua casa em SP |
Os dois autores também falaram sobre a tristeza que impõem a suas obras. Carvalho argumentou que simplesmente não consegue escrever com humor, que ele até gostaria de fazer um romance divertido, engraçado.
"Mas eu simplesmente não consigo", afirmou. Rahimi disse que na França, país onde vive, as pessoas sempre perguntam como ele pode ser tão alegre, feliz, um "bon vivant" e escrever sobre coisas tão tristes. "Eu sou mesmo muito alegre, um °bon vivant°, então uso o livro para colocar para fora toda a parte triste que há em mim.. É melhor que pagar um analista", disse.
Nesta quinta-feira, a Flip ainda contará com a presença da irlandesa Edna O°Brien, que falará com Liz Calder, às 15h, do mexicano Mario Bellatin, que participa de mesa com Cristovão Tezza às 17h e, às 19h, talvez a mais esperada das presenças ilustres: Chico Buarque, que divide a conversa com Milton Hatoum.
Leia mais
- Mesas sobre China e ciência x Deus marcam 1º dia da Flip
- 'Nunca acredite num escritor'; veja entrevista com Lobo Antunes na Flip
- Parceria premiada com Jabuti apresenta segundo livro juvenil; leia trecho
Leia outras notícias de Ilustrada
- Família confirma que funeral público de Michael será em ginásio do último ensaio
- Ceará se passa por Silvio e irrita apresentadores
- Advogado desmente que mãe de dois filhos de Michael vá pedir custódia
Especial
- Veja o que já foi publicado sobre a Flip
- Acompanhe a cobertura completa da morte de Michael Jackson
- Veja o especial da 7ª Flip
Livraria



