Publicidade

Ilustrada
04/07/2009 - 16h39

Crítico de música americano inova leitura durante a Flip e agrada

Publicidade

ANAÍSA CATUCCI
Colaboração para a Folha Online
TERESA CHAVES
Colaboração para a Folha Online

O crítico de música e escritor norte-americano Alex Ross inovou a tradicional leitura que dá início às mesas da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Durante sua apresentação neste sábado, ele colocou música de fundo para sua leitura, leu trecho de seu livro "O Resto é Ruído" embalado por Stravinsky.

A mesa mediada pelo jornalista Arthur Dapieve tratou sobre o processo de construção do livro, a escolha das personagens, a relação da composição musical erudita com a história, a política e a sociedade.

Uma das preocupações apresentada por Ross, crítico musical da respeita revista norte-americana "The New Yorker", foi sobre a mudança de pensamento das pessoas a respeito da linguagem musical. "Eu já fui a centenas de concertos e fico na esperança que as pessoas façam um escândalo. As pessoas são muito educadas, elas apenas tossem ou vão embora. O público é inseguro e não quer estar do outro lado da história, já que daqui 50 anos isso pode virar arte". Depois disso, educadamente, pediu para o público fazer barulho.

Ross falou sobre a saudade que sente de quando os compositores eram considerados celebridades e notícias de jornal, e lamentou a falta de conhecimento do público sobre a existência dos novos compositores de música erudita.

Questionado sobre a influência e divulgação de músicas clássicas e erudita pela internet, Ross afirmou que o meio facilita o acesso a fragmentos musicais, trechos de obras, mas que não tem como provar que está atraindo admiradores para o estilo, que ainda é considerado muito conservador.

Ao contar um pouco de sua história de vida e a relação com o interesse pela música popular, Ross afirmou que não era considerado um garoto "descolado" nos tempos da escola devido a seu gosto musical. "Não cresci ouvindo isso [música popular], até os 18 anos eu só ouvia música clássica."

A trajetória da história da música erudita, as rupturas com as tradições dos grandes clássicos como Stravinsky e Strauss, a interferência política e até mesmo o nascimento do jazz marcado pelo preconceito racial também foram temas abordados pelo autor.

Ao ser indagado pela falta de compositores brasileiros em seu livro, Ross pediu para que os leitores brasileiros não ficassem ofendidos, explicando que o conteúdo ficou tão longo dentro do livro que, se cortasse alguma coisa para acrescentar outros nomes, não poderia explorar da forma que deveria os assuntos que escolheu. "Adoro música em cada extremo. Não acredito que um compositor seja melhor que o outro. As divergências ideológicas deveriam acabar e valorizar a personalidade de cada escritor", disse.

Ross falou que é fã da música brasileira, gosta de Chico Buarque e Caetano Veloso. Também tem interesse pela música popular e o diálogo com a música clássica feita no Brasil por Pixinguinha e Ernesto Nazareth. Disse ainda acreditar que a música clássica não é mais europeia, ultrapassou as fronteiras, é algo global.

Para ele, seu livro, de não ficção, é apenas uma introdução entre as várias histórias sobre a música no século 20. "Quero que seja um portão para que as pessoas descubram outras músicas".

Repercussão

Entre o público de Ross, estava a escritora irlandesa Edna O'Brien, que disse à Folha Online "não conhecer tanto música clássica como gostaria, mas que a mesa de discussão foi extraordinária e muito construtiva". O psicanalista Roberto Kehdy, 70,fez coro. "Valeu muito ter participado da conversa, tenho interesse em comprar o livro para ter como referência porque temos, às vezes, uma ideia pouco precisa da importância dos compositores."

A leitura do trecho do livro deixou emocionada a australiana Henie Jackson, 59. "Fiquei arrepiada, pois é muito emocionante, é autor, muito inteligente e erudito."

Comentários dos leitores
suerly gonçcalves (20) 05/07/2009 02h54
suerly gonçcalves (20) 05/07/2009 02h54
AA musa Cláudia Ohana jamais poderia ter sido barrada no acesso a tenda, ainda mais no encosto do casal de escritores. Isso não se faz. Algum problemático a barrou. Faltaram-lhe conhecimentos necessários da importante contribuição dela na sala, ou tratou-se de caso de birra? Se verificar o vídeo e câmeras de segurança, verão que outros personagens ingressaram, antes e após. A norma deve ser aplicada com bom senso. Não pode ser no pontapé. Nem um juiz está mais autorizado a punir sem fornecer as devidas explicações para o réu ou vítima. Isso é respeito à cidadania. Diante da norma de igualdade de todos, privilegie a contribuição importante. A aceitação é o primeiro passo. O sentido poderá vir depois. Seus...
suerly gonçalves veloso
sugonl@uol.com.br
sem opinião
avalie fechar
Paulo Pinto (14) 04/07/2009 20h58
Paulo Pinto (14) 04/07/2009 20h58
Chico é Deus..pena que pessoas de baixo nível não tenham acesso à sua cultura
Taí a Ivete Sangalo, pagodes e sertanejos para agradarem esses coitados.
Fiquem com eles e eu com o Chico
1 opinião
avalie fechar
Diocleciano Campos (138) 04/07/2009 17h56
Diocleciano Campos (138) 04/07/2009 17h56
OLHA AÍ
AI, OLHA AÍ, OLHA AÍ
OLHA, AÍ
É O MEU GURI
Além de excelente compositor, também o é escritor.
3 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (10)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca