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Ilustrada
05/07/2009 - 10h33

Ingrid Bergman está em filme da Coleção Folha

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da Folha de S.Paulo

As peças do dramaturgo inglês Patrick Hamilton renderam três ótimos filmes: "Festim Diabólico" (1948), de Alfred Hitchcock; "Concerto Macabro", de John Brahm (1945); e "À Meia Luz" (1944), de George Cukor. Com um elenco de primeira grandeza que reúne Ingrid Bergman --premiada com o Oscar de melhor atriz--, Charles Boyer, Joseph Cotten e Angela Lansbury, "À Meia Luz" é a próxima atração da Coleção Folha Clássicos do Cinema, disponível em 12 de julho.

No início dos anos 1940, as teorias de Freud chegaram ao cinema com força total, conferindo um novo impulso ao "suspense psicológico". Conto de uma mulher frágil que acredita estar enlouquecendo graças às artimanhas de seu marido, "À Meia Luz" é um belo exemplo da influência do pai da psicanálise no cinema.

O filme se passa em um labiríntico casarão londrino cujos cômodos são repletos de objetos inúteis --cenário perfeito para os propósitos de Gregory Anton (Charles Boyer), um homem sinistro que tem como objetivo enlouquecer a mulher, Paula (Ingrid Bergman). Só assim, ele acredita, poderá procurar livremente as joias que a tia de Paula, uma famosa cantora de ópera, teria escondido antes de morrer assassinada pelo próprio Anton, anos atrás.

Considerado um grande diretor de atores, George Cukor empresta ao suspense psicológico sua notória sofisticação narrativa. A fragilidade da protagonista e os truques de seu marido para levá-la à loucura permitem que Cukor imprima seu estilo ao filme, visível no barroquismo dos cenários e, sobretudo, nos ângulos e na movimentação da câmera.

Para o crítico da Folha José Geraldo Couto, autor do ensaio sobre o filme que faz parte deste volume, "À Meia Luz" pode ser visto como "um jogo de sanidade e loucura entre o casal protagonista. Esse confronto se expressa não apenas no duelo entre os dois grandes atores (Ingrid Bergman e Charles Boyer), mas também numa série de fortes contrastes: sombra/ luz, noite/dia, neblina/transparência."

Nesse aspecto, a fotografia de Joseph Ruttenberg, indicada ao Oscar, desempenha um papel especial, assim como a direção de arte de Cedric Gibbons, que levou o prêmio. O filme também recebeu indicações nas categorias de melhor atriz coadjuvante (para Angela Lansbury, então com apenas 19 anos), melhor roteiro e melhor filme (perdeu para "O Bom Pastor", de Leo McCarey).

Arte/Folha de S.Paulo
 

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