Vencedor de Berlim abre hoje 4º Festival de Cinema Latino-Americano
SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo
Filme vencedor do Festival de Berlim deste ano, o peruano "La Teta Asustada" (a teta assustada), da cineasta Claudia Llosa, abre nesta segunda-feira (6) a quarta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, em sessão para convidados.
| Divulgação |
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| Cena do filme peruano "La Teta Asustada", da cineasta Claudia Llosa, que abre festival em SP |
"O reconhecimento não só das nossas raízes, mas também do que somos hoje é a questão central [do longa] para mim. Trata-se de como aceitar a nós mesmos, de como recuperar a autoestima", disse a diretora à Folha, em Berlim, na véspera de sua premiação, em fevereiro.
Llosa desenvolve o tema a partir da história de Fausta [Magaly Solier]. Criada unicamente pela mãe, que engravidou quando foi vítima de estupro, no período mais exacerbado da guerra civil peruana, a garota cresce aterrorizada pelo fantasma da violência sexual.
Originárias das comunidades indígenas andinas, mãe e filha vão para Lima, onde se juntam a outro ramo da família, instalado há mais tempo na metrópole. A migração de Fausta é a forma que Llosa encontrou de fazer "uma alusão aos povos andinos que migram para Lima e, de certa forma, a reinventam e se reinventam na cidade".
A diretora e roteirista quis retratar "uma modernidade que existe, apesar da carestia" e mostrar "como a inovação invade, apesar das dificuldades".
Com o Urso de Ouro conquistado em Berlim --na primeira vez em que um filme peruano competiu no festival alemão, ao longo de 59 edições-- Llosa assumiu a proa da geração de diretores peruanos que impulsionam a incipiente indústria de cinema de seu país.
Ao lado dela está Josué Méndez, de quem o festival exibe "Dioses" (deuses), de 2008. Assim como Llosa, Méndez nasceu em 1976 e está em seu segundo longa. A estreia dela foi com "Madeinusa" (2006), a dele, com "Días de Santiago" (2004), que também aborda os resquícios dos anos de terrorismo e guerra civil enfrentados pelo Peru nas décadas de 70 e 80 do século passado, mas pela perspectiva de um ex-soldado.
"Paraelisa" (1999), primeiro curta de Méndez, integra o festival, que começa amanhã para o público e vai até domingo. Ao todo, serão exibidos 111 títulos, de 17 países, agrupados em diversas mostras. Todas as sessões têm entrada franca.
Promovido pelo Memorial da América Latina e pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, o festival se realiza com orçamento aproximado de R$ 700 mil. Além das projeções de filmes, serão realizados seminários sobre aspectos da coprodução cinematográfica e debates com cineastas convidados.
Ao cineasta brasileiro Nelson Pereira dos Santos o festival dedica uma homenagem e uma retrospectiva, com seis de seus longas, incluindo o clássico "Rio 40 Graus" (1957).
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