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10/07/2009 - 11h51

Espetáculo com Bia Lessa une bula de remédio a Dostoiévski

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AUDREY FURLANETO
da Folha de S.Paulo, no Rio

Isto não é um espetáculo de teatro. Os atores, o cenário e o palco também não são. É quase tudo "não". Nem a intenção de Bia Lessa, 51, era a de fazer um espetáculo, mas sua "não peça" "Formas Breves" estreia nesta sexta-feira (10) no teatro Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico, no Rio.

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Bia Lessa posa coma filha Maria, dramaturga de sua nova peça, no teatro Tom Jobim, no Rio
Bia Lessa posa coma filha Maria, dramaturga de sua nova peça, no teatro Tom Jobim

Distante dos palcos há cinco anos, a diretora e cenógrafa dedicou os últimos meses a um grupo de estudos, com 21 alunos, sobre o homem e suas aflições. "Não tinha texto para trabalhar, não tinha nada", conta. Como exercício, os alunos --há atores, estudantes, uma advogada, uma psicóloga, entre outros, que são agora o "não elenco"-- levavam livros e discutiam trechos que, meses depois, formaram o "não texto".

Fragmentos de obras de James Joyce, Dostoiévski, Robert Musil, Sérgio e André Sant'Anna, entre outros, inspiram a peça, que também agregou frases de bulas de remédio e nomes da lista telefônica. Conectar os pedaços é ideia de Maria Borba, 30, física, dramaturga do espetáculo e filha de Bia.

"Sempre li textos muito desconexos e achava que daria para juntá-los de algum jeito." Já Bia sofria do que, diz, é uma das causas de sua pausa no teatro. "Sempre tive necessidade de ter um texto. Faço pouco teatro porque dificilmente encontro alguma coisa que me faça dizer: "Caramba, é isso o que eu quero falar!'", diz. "Para mim, teatro tem que ser assim. Não dou conta de montar um bom Shakespeare. É genial, mas não tenho esse desprendimento. Preciso estar muito conectada."

Definido o texto, o debate se voltou para cenário e figurino. "A gente se perguntou o que era necessário. Precisa de figurino? Cenário precisa? O que precisa para dizer o que a gente quer dizer?", conta Bia.

Autora de cenografias --como a da mostra sobre Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo--, ela cortou de 600 para 300 os lugares da plateia do teatro. O palco ficou maior, e é lá que roupas serão suspensas por cabides e cabos ao longo do espetáculo. O "não figurino" irá de peças pretas à nudez dos atores. "Não sou interessada em cenário. Me interesso por espaço. Cenário sempre fica uma decoração. Eu penso: "Que geografia vamos criar para as pessoas entrarem nesse universo?'"

FORMAS BREVES
Quando: estreia hoje, às 20h; de sex. a dom., às 20h, até 30/ 8
Onde: Espaço Tom Jobim Cultura Meio-Ambiente (r. Jardim Botânico, 1.008, Rio de Janeiro; tel. 0/xx/21/2274-7012)
Quanto: R$ 40
Classificação: 14 anos

 

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