20/04/2006
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16h43
Leia trecho do livro "Memórias Sexuais no Opus Dei" (Panda Books"), que chegou nesta semana às livrarias. A publicação fala sobre a repressão sexual no grupo católico ultraconservador Opus Dei, em relatos de Antonio Carlos Brolezzi, professor de matemática da USP, que foi membro da Obra de Deus por dez anos.
É que eu nunca tinha visto uma vagina e achava que jamais iria ver. Mesmo assim, em algumas noites de absoluta insônia, após rezar o terço umas dez vezes, me levantava e descia para o banheiro que ficava no térreo do Centro. Munido de algumas folhas de papel em branco, lápis e borracha, elaborava delicados desenhos de mulheres nuas em posições sensuais. Acabava me masturbando até quatro vezes seguidas, com mentalidade de que, como já tinha cometido o pecado mortal, e teria que confessar pela manhã, o negócio era tirar o máximo de proveito da situação. Após essas orgias de desenhos e masturbação, o temor de ser descoberto era tão grande que cheguei a queimar os papéis no banheiro. Enquanto olhava os desenhos serem consumidos pelas chamas, pensava: "Estou ficando doidinho...".
O sacerdote que me atendia nessa altura era o padre José. Ele me perguntou um dia como eu desenhava a vagina das mulheres, já que nunca tinha visto uma antes. Eu disse que desenhava uma boca na vertical. Ele riu e não falou nada. Senti-me mais ridículo ainda, porque o padre José entendia mais de vagina do que eu. Eu raramente tinha visto alguma foto de mulher nua. Minha família não tinha esses costumes, mesmo sem ter neura alguma ou repressão sexual. Às vezes, na escola, alguma menina ou menino levava uma "revistinha de foda" e ficávamos feito doidos para olhar aquilo escondidos. Uma vez também, em uma gincana na 8ª série, recebemos uma doação da revista Playboy, que tivemos que olhar rapidinho, pois os pontos da gincana eram mais valiosos para nós. Eu gostava mesmo era de olhar as revistas de corte e costura da mãe ou, melhor ainda, da minha tia de Santa Bárbara d'Oeste, e suas revistas antigas. Eu achava sensual as mulheres de biquíni; quanto mais recatadas, melhor.
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da Folha OnlineLeia trecho do livro "Memórias Sexuais no Opus Dei" (Panda Books"), que chegou nesta semana às livrarias. A publicação fala sobre a repressão sexual no grupo católico ultraconservador Opus Dei, em relatos de Antonio Carlos Brolezzi, professor de matemática da USP, que foi membro da Obra de Deus por dez anos.
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| Opus Dei fez professor demorar a perder virgindade |
O sacerdote que me atendia nessa altura era o padre José. Ele me perguntou um dia como eu desenhava a vagina das mulheres, já que nunca tinha visto uma antes. Eu disse que desenhava uma boca na vertical. Ele riu e não falou nada. Senti-me mais ridículo ainda, porque o padre José entendia mais de vagina do que eu. Eu raramente tinha visto alguma foto de mulher nua. Minha família não tinha esses costumes, mesmo sem ter neura alguma ou repressão sexual. Às vezes, na escola, alguma menina ou menino levava uma "revistinha de foda" e ficávamos feito doidos para olhar aquilo escondidos. Uma vez também, em uma gincana na 8ª série, recebemos uma doação da revista Playboy, que tivemos que olhar rapidinho, pois os pontos da gincana eram mais valiosos para nós. Eu gostava mesmo era de olhar as revistas de corte e costura da mãe ou, melhor ainda, da minha tia de Santa Bárbara d'Oeste, e suas revistas antigas. Eu achava sensual as mulheres de biquíni; quanto mais recatadas, melhor.
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