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Ilustrada
21/04/2006 - 09h52

Wim Wenders retorna ao "road movie" existencial

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RICARDO CALIL
do Guia da Folha

Wim Wenders já fez filmes --bons ou maus, memoráveis ou desprezíveis-- em várias partes do mundo: Alemanha, Estados Unidos, Portugal, Cuba. Em nenhum lugar o cineasta alemão parece se sentir tão em casa quanto no Oeste americano. O vazio existencial de seus personagens encontra sua perfeita tradução na desolada paisagem daquele território. Assim foi "Paris, Texas" (84). Assim é "Estrela Solitária" (05).

O novo filme não repete apenas a ambientação do antigo. Ele também se baseia em um texto do dramaturgo americano Sam Shepard, pode ser definido como um "road movie" existencial e tem como protagonista um homem em uma jornada de redenção.

Na trama, o ator Howard Spence (o próprio Shepard) --uma antiga estrela de faroestes que entrou em decadência por causa do vício em álcool, drogas e mulheres, além de seu comportamento irascível-- abandona o set de um filme, parte em viagem pelo Oeste e passa a ser perseguido por um agente da seguradora da produção (Tim Roth).

Primeiro, Howard visita a mãe que não vê há tempos (Eva Marie Saint), e esta revela que ele engravidou uma ex-namorada décadas atrás. Em seguida, o ator vai ao encontro dessa antiga paixão (Jessica Lange) e conhece seu filho (Gabriel Mann), que rechaça sua presença. Ele ainda cruza com uma estranha garota (Sarah Polley), que carrega todo o tempo uma urna funerária.

No lugar do lamento melancólico de "Paris, Texas", Wenders oferece ao espectador uma farsa carinhosa sobre a decadência do Oeste como local mítico e do western como ápice do cinema americano. O novo filme pode não ostentar a grandeza do antigo, mas possui um sofisticado senso de humor suficiente para torná-lo superior à obra recente do cineasta. Como o seu protagonista, o cineasta alemão teve que olhar o passado para enxergar o futuro.

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