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Ilustrada
21/04/2006 - 10h15

Crítica: Seqüência de "Instinto Selvagem" perde ironia

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PEDRO BUTCHER
da Folha de S. Paulo

"Instinto Selvagem" é um marco do cinema do fim do século passado, filme de exploração da melhor estirpe, reflexo fiel da paranóia sexual pós-Aids dominante naqueles tempos e, possivelmente, uma das derradeiras produções de grande orçamento proibida para menores de 18 anos. A partir dali, o cinema americano se infantilizaria mais radicalmente e o sexo, enclausurado no nicho dos pornôs e pornô-softs do "entretenimento caseiro", seria praticamente banido do chamado cinemão.

Divulgação
Sharon Stone em "Instinto Selvagem 2"
Sharon Stone em "Instinto Selvagem 2"
"Instinto Selvagem 2" continua sendo um filme de exploração, mas agora da pior estirpe, menos divertido, tímido no sexo e sem gota da ironia rascante que marcou o original de Paul Verhoeven. A "exploitation", agora, limita-se à exploração das marcas que se firmaram a partir do original (ou seja: o título e Sharon Stone). Nem mesmo como "reflexo de seu tempo" o filme desperta algum interesse especial, a não ser, talvez, pelo visual "museu de cera" que se apossou de Sharon Stone (plástica? maquiagem?).

Nem mesmo a famosa cruzada de pernas se repete. A nova história prefere caminhar pelo trilho seguro de falsas ambigüidades que se fazem pretexto para viradas banais, que poderiam estar em qualquer filme de suspense.
Ainda assim, filho da marca forte que é, "Instinto Selvagem 2" traz momentos divertidos. A maior parte deles graças ao personagem masculino da vez, possivelmente o mais otário que já passou pela história do cinema policial. Nesse sentido, o ator David Morrissey é a escolha perfeita. Sua falta de expressão é o motivo principal dos risos possíveis que podem brotar no rosto do público.

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