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Ilustrada
04/08/2009 - 08h02

Há um século nascia Burle Marx, expoente do paisagismo moderno

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BRUNO LOFRETA
colaboração para a Folha Online

Roberto Burle Marx, cujo centenário de nascimento é comemorado nesta terça-feira (4), levou o paisagismo moderno ao estado de arte, imprimindo em pinturas, esculturas, tapeçarias e, principalmente, em jardins públicos e particulares as belezas e peculiaridades da botânica brasileira.

Veja imagens da carreira e de obras de Burle Marx

Américo Vermelho /Folha Imagem
Roberto Burle Marx num dos jardins que projetou no edifício sede da Petrobras, no centro do Rio
Roberto Burle Marx num dos jardins que projetou no edifício sede da Petrobras, no Rio

Nascido na capital paulista, Burle Marx esteve em contato com o mundo das artes desde a infância por influência dos pais, Cecília Burle e Wilhelm Marx. Enviado à Alemanha para tratar de um grave problema de visão, acabou conhecendo exemplares da vegetação brasileira mantidos em estufas do Velho Continente.

Na Europa, visitou diversos museus e galerias de arte, se aproximando dos trabalhos de Vincent Van Gogh e Matisse, pintores que marcariam suas obras posteriores.

Após retornar ao Brasil, nos anos 30, Burle Marx cursou a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde travou contato com artistas plásticos e arquitetos.

Dos projetos paisagísticos do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e da Embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, ao jardim do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, Burle Marx elaborou centenas de espaços ao redor do planeta.

"Você olha o piso da calçada de Copacabana, olha o aterro do Flamengo, e não tem como não lembrar do Burle Marx", diz a arquiteta Iracy Fortes Sguillaro, professora de paisagismo do Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, sobre dois dos projetos mais célebres do artista.

Fortes Sguillaro destaca o trabalho de Burle Marx com água e pedra, elementos integrados em seus projetos de forma a sugerir uma disposição natural dos jardins.

"Ele procurou inserir espécies brasileiras em uma composição moderna. Não tem a rigidez do jardim francês ou inglês" explica a professora, que ressalta o cuidado de Burle Marx ao planejar um jardim antevendo as espécies em sua idade adulta.

"Ele é o grande professor do paisagismo moderno", diz.

Outra característica marcante no trabalho do paisagista, morto em 1994, é o diálogo com a arquitetura circundante. Lucio Costa e Oscar Niemeyer foram dois dos arquitetos com os quais Burle Marx desenvolveu dezenas de trabalhos durante a carreira.

O Parque Burle Marx, em São Paulo, e o Sítio Guaratiba, no Rio de Janeiro, são dois dos locais que guardam o legado do maior nome do paisagismo brasileiro.

 

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