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Com Brad Pitt e Bernal, "Babel" é um dos favoritos em Cannes
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da Efe, em Cannes
Nem mesmo uma falha na projeção impediu que a exibição para a imprensa do filme "Babel" terminasse com uma longa salva de palmas, o que fez com que a produção cinematográfica do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu começasse a ser considerada uma dos principais candidatas à Palma de Ouro do Festival de Cannes.
"Intenso", "apaixonante" e "profundo" foram alguns dos adjetivos usados pelos jornalistas para descreverem o filme exibido no Grand Théatre Lumière, uma das salas do Palácio dos Festivais.
Apesar de o diretor ter apenas dois filmes em seu currículo, ele já havia causado uma boa impressão junto à crítica com "Amores Brutos" (2000), que foi exibido em Cannes na mostra não-competitiva, e "21 Gramas" (2003), que levou o diretor ao sucesso, assim como o escritor Guillermo Arriaga, que foi premiado em Cannes em 2005 pelo roteiro de "Três Enterros".
Estrelado por Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Adriana Barraza, Koji Yakusho, Rinko Kikuchi, Said Tarchani e Boubker ait el Caid, "Babel" encerra a trilogia de forma coerente e sem a perda de qualquer das qualidades apresentadas pela equipe de produção, que também conta com o diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto e com o músico argentino Gustavo Santaolalla ("Amores Brutos", "O Segredo de Brokeback Mountain", "Diários de Motocicleta").
Assim como os filmes anteriores, esta torre tem como alicerces a força do acaso, a fatalidade e a inflexibilidade do destino, além dos apoios secundários de três histórias cuja conexão parece inexistente no início.
Como das outras duas vezes, a viga mestra da trama é um acidente. Só que desta vez, Iñárritu e Arriaga ampliam suas ambições, e, se o ponto de partida acontece no Marrocos, suas conseqüências são sentidas em localidades distantes, como México e Japão.
Além disso, "Babel" aborda temas tão diferentes como a imigração de mexicanos para os EUA, a paranóia antiterrorista e o isolamento causado pela invalidez. Talvez a presença da trama japonesa na história seja o único ponto questionável desta bela história.
Preconceitos
O enredo é tão bom que, apesar de a projeção ter sido interrompida por alguns minutos, o público demonstrou estar ligado no filme. Na verdade, esse episódio foi apenas mais uma prova da qualidade da produção cinematográfica de quase duas horas e meia que foi exibido em um horário desfavorável, 8h30 da manhã.
Uma das explicações para a boa aceitação pode estar na história, baseada na narrativa bíblica da "Torre de Babel". Entretanto, a confusão de línguas não foi um problema para González Iñárritu.
"O problema são os preconceitos que separam os seres humanos", disse nesta terça o diretor, que estava acompanhado por boa parte do elenco --menos Brad Pitt, que afirmou que não poderia comparecer por causa da expectativa de nascimento do seu filho com Angelina Jolie.
"Queria que meu filme tratasse daquilo que nos une de um extremo a outro do mundo, e inclusive em uma mesma família. Como seres humanos, nosso conceito da felicidade é muito diferente, mas o que nos faz sentir mal é o mesmo para todos: a impossibilidade de sentir e expressar o amor", declarou o diretor.
"Isso é o que une os personagens, entre os quais não queria que houvesse bons e maus", continuou González Iñárritu, que afirmou ainda ser "terrível" o que acontece na fronteira entre EUA e México. Essa questão é abordada no filme através dos personagens vividos pelos mexicanos García Bernal e Barraza.
"Quando fizemos esse filme, tivemos interdependência, todos dividimos um sentimento de fragilidade", disse Bernal. Opinião semelhante apresentou Blanchett. Para ela, a fita "trata das relações entre pais e filhos".
Diante da expectativa de uma premiação, um jornalista perguntou ao diretor se ele tinha preparado um discurso para receber o prêmio. "O melhor é não esperar nada, para poder manter a calma", respondeu Iñárritu com um sorriso.
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