Ilustrada
21/08/2009 - 14h47

Annie Leibovitz tem dívida de US$ 24 mi e deve pedir falência

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da France Presse, em Nova York

Ela é tão famosa quanto as modelos com quem trabalha, mas o perfeccionismo tem um preço: a fotógrafa Annie Leibovitz está à beira da falência e Nova York se pergunta como chegou a este ponto. Para compor as fotos que a transformaram, aos 59 anos, em uma das melhores retratistas do mundo, Leibovitz nunca se preocupou com as finanças.

Levar Arnold Schwarzenegger ao topo de uma montanha, mergulhar Whoopi Goldberg em uma banheira de leite ou fechar o Palácio de Versalhes para fotografar Kirsten Dunst como Maria Antonieta: tudo é permitido.

Jacquelyn Martin/AP
Annie Leibovitz diante do retrato feito por ela da rainha Elizabeth 2ª, na exposição feita em museu de Washington, 2007
Annie Leibovitz diante do retrato feito por ela da rainha Elizabeth 2ª, na exposição realizada em um museu de Washington, em 2007

Os famosos fazem fila para ser imortalizados por sua câmera em um estilo próximo do hiperrealismo, mas trabalhar com tantas celebridades talvez a tenha feito perder o senso comum e hoje ela está atolada em dívidas.

Em plena tempestade, Annie Leibovitz fez, em dezembro de 2008, o mesmo que muitos artistas e colecionadores de arte: recorreu a uma instituição financeira que emprestou dinheiro em troca de uma hipoteca sobre as obras.

Hoje, Leibovitz deve US$ 24 milhões e em 8 de dezembro vence o prazo a partir do qual entrará em falência, caso não reembolse o dinheiro a Art Capital, que já entrou com uma ação judicial para exigir o pagamento.

Além de seus arquivos fotográficos, avaliados em US$ 50 milhões, estão hipotecadas sua casa --que ocupa uma esquina do Greenwich Village, em Manhattan-- e uma residência em Rhinebeck, ao norte de Nova York.

Leibovitz nunca teve a fama de organizar bem as próprias finanças. Quando, nos anos 80, a American Express a contratou para uma campanha foi revelada a notícia, irônica, de que a empresa havia negado a concessão do cartão de crédito à artista.

Mas desde o cantor John Lennon nu com Yoko Ono --fotografado horas antes de seu assassinato em 1980-- à rainha Elizabeth 2ª da Inglaterra, passando por Demi Moore grávida e nua, é difícil encontrar um famoso que não tenha sido retratado por Leibovitz, que iniciou a carreira na revista Rolling Stone em 1970.

Annie Leibovitz/Efe
Whoopi Goldberg em foto de Leibovitz feita para campanha da Disney no ano passado
Whoopi Goldberg em foto de Leibovitz feita para campanha da Disney no ano passado

Desde que o "New York Times" revelou o caso no início do ano, especula-se sobre as razões da queda em desgraça de uma de suas melhores artistas. A "New York Magazine" dedicou nesta semana um grande espaço para arriscar uma resposta, relatando como a vida de Leibovitz e suas obsessões profissionais foram pouco a pouco a afastando da realidade.

A revista investiga desde a montagem dos cenários delirantes de suas fotos até seu crescente gosto pelo luxo, incluindo a compra de um apartamento às margens do rio Sena em Paris para passar temporadas com a companheira, a escritora Susan Sontag, que morreu em 2004.

Em um documentário dedicado a Leibovitz, a editora da "Vogue", Anna Wintour, dá sua própria explicação. "O orçamento não é algo que entre na consciência dela, mas vale a pena, porque no fim ela te dá uma imagem como ninguém mais pode conseguir."

 

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