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14/09/2009 - 08h54

Panorama da Arte Brasileira terá dois artistas nacionais

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FABIO CYPRIANO
da Folha de S.Paulo

Os artistas podem não ser brasileiros, mas o título do 31º Panorama da Arte Brasileira não poderia ser mais nacional: "Mamõyguara Opá Mamõ Pupé". A frase, em tupi antigo, significa "estrangeiros em todo lugar" e é o trabalho do coletivo francês Claire Fontana, um dos 29 artistas selecionados pelo curador Adriano Pedrosa.

Divulgação
Trabalho do alemão Franz Ackermann, presente no 31º Panorama da Arte Brasileira
Trabalho do alemão Franz Ackermann, presente no 31º Panorama da Arte Brasileira

O texto estará disposto em néon na frente do museu e faz parte de uma série já realizada em outros países, que questiona o preconceito contra estrangeiros. Ela se caracteriza como um tipo de antítese ao "ausländer raus", frase nazista que significa "estrangeiros fora".

Esse trabalho também pode ser uma resposta do curador à polêmica resultante da sua opção em não incluir brasileiros na mostra em caráter bienal organizada no MAM-SP, que deve ser aberta em 3 de outubro e tradicionalmente apresentava um panorama da arte nacional.

No final, o Panorama terá dois brasileiros. Uma será a mineira Tamar Guimarães, que vive em Copenhague, na Dinamarca. O outro será Valdirlei Dias Nunes, que vive em São Paulo e foi escolhido pelo argentino Nicolas Guagnini para sua obra "Máquina Curatorial".

"A presença da Tamar é um jogo com o conceito da exposição. Eu a conheci em Copenhague e, apesar de brasileira, sua carreira está toda desenvolvida fora daqui. Seu trabalho é uma projeção de slides com um áudio em inglês muito preciso, num formato bastante europeu, ainda que o tema seja o Chico Xavier", disse Pedrosa.

No geral, grande parte dos trabalhos selecionados se relaciona com um Brasil dos anos 50 e 60, marcados pelos neoconcretos, como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape, e pela arquitetura de Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi.

"Essa exposição é uma grande afirmação da arte brasileira e de como ela virou referência importante para muitos artistas estrangeiros", diz o curador.

Por terem relação com o país, a maioria dos selecionados já participou de alguma edição da Bienal de São Paulo --sete deles na 27ª, quando Pedrosa foi cocurador, ou são representados por galerias paulistanas.

É o caso, por exemplo, do britânico Cerith Wyn Evans, com "Aqui Tudo Parece Que Ainda É Construção e Já É Ruína", frase de Claude Lévi-Strauss apropriada por Caetano Veloso em canção. O artista britânico escreveu-a com fogos de artifício numa estrutura da galeria Fortes Vilaça, em 2004, o que também deve ocorrer no MAM.

Outro caso de artista com forte visibilidade no país é o argentino Jorge Macchi, representado pela Luisa Strina. Exibido em SP duas vezes neste ano (na Pinacoteca e no CCBB), Macchi vai expor um novo trabalho, "Ouro Preto", além de apresentar uma série anterior.

 

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