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Ilustrada
11/08/2006 - 09h00

Quatro documentários brasileiros têm estréias simultâneas

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RICARDO CALIL
do Guia da Folha

Três documentários brasileiros chegam juntos aos cinemas hoje: "Intervalo Clandestino", "O Sol, Caminhando contra o Vento" e "Um Craque Chamado Divino". Além deles, estréia uma co-produção EUA/Brasil: "Favela Rising".

Esse fato raro deveria ser comemorado como um sinal da vitalidade da produção documental brasileira. Mas ele levanta questões preocupantes sobre problemas crônicos de distribuição e exibição de filmes no país.

A estréia simultânea pode prejudicar a carreira comercial dos filmes, já que eles disputam o mesmo circuito e o mesmo público. Da forma como são lançados, eles entram em cartaz em poucas salas e, na maioria das vezes, fazem públicos ínfimos. "Intervalo Clandestino", por exemplo, terá apenas três sessões diárias no Frei Caneca Unibanco Arteplex (dividindo a sala com "O Sol", que também estréia no Jardim Sul). "Favela Rising" e "Um Craque Chamado Divino" também só ganharam uma sala de projeção cada um.

Das quatro estréias, a mais ousada é "Intervalo Clandestino", de Eryk Rocha ("Rocha que Voa"). O filme, rodado no Rio de Janeiro antes, durante e depois das eleições de 2002, tenta captar o estado de espírito do povo diante da realidade política do país. Na tela, alternam-se entrevistas com pedestres, imagens de arquivo de políticos e vinhetas que beiram a abstração. Embora a tentativa de quebrar a monotonia visual dos documentários seja louvável, ela não consegue esconder o caráter genérico e dispersivo dos depoimentos.

"O Sol, Caminhando contra o Vento" apresenta uma proposta mais modesta: afirmar a importância do jornal-escola carioca "O Sol", que, em poucos meses de existência, em 1967, teve um papel de destaque na criação de uma imprensa alternativa de resistência ao regime militar. A publicação teria inspirado a música "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso ("... o Sol nas bancas de revista...").

Para contar a história de "O Sol", a diretora Tetê Moraes produz e registra uma festa com pessoas ligadas ao jornal (Gilberto Fil, Fernando Gabeira, Zuenir Ventura etc.). O documentário passa a impressão de que os entrevistados estão se divertindo. O mesmo não poderá ser dito sobre os espectadores.

"Um Craque Chamado Divino" é outra tentativa de resgate histórico, mas em um campo diferente, o do futebol. No longa de Penna Filho, a trajetória do jogador Ademir da Guia --que marcou época no Palmeiras das décadas de 60 e 70-- é relembrada por jornalistas, como Juca Kfouri e Alberto Helena Junior, e jogadores, como Leivinha e Sócrates.

Fosse atleta nos dias de hoje, o estilo cadenciado de Ademir, o Divino (apelido herdado do pai, Domingos da Guia), poderia ser comparado ao de Zidane, considerado o principal jogador da última Copa do Mundo. Com um tom reverenciador, o longa é sobretudo para fãs do esporte.

"Favela Rising", dirigido pelos norte-americanos Matt Mochary e Jeff Zimbalist, também aposta no documentário biográfico ao contar a história do carioca Anderson Sá --que conseguiu escapar do crime ao se tornar vocalista da banda AfroReggae, da favela de Vigário Geral (Rio de Janeiro). Esse olhar estrangeiro sobre a realidade brasileira ganhou o prêmio de melhor documentário de 2005 da International Documentary Association.

Colaborou Sandro Macedo

Especial
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