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08/10/2009 - 07h48

Trilha sonora em mostra no MAM contraria curador

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FABIO CYPRIANO
da Folha de S.Paulo

Quando concebeu o 31º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o curador Adriano Pedrosa decidiu não apresentar artistas brasileiros, gerando polêmica no circuito.

Rafael Hupsel/Folha Imagem
Obra de Nicolas Guagnini, que integra o Panorama da Arte Brasileira
Obra de Nicolas Guagnini, que integra o 31º Panorama da Arte Brasileira

Em vez de artistas brasileiros, o curador pretendia apresentar artistas que trabalham com a cultura brasileira. Depois, chegou a incluir uma brasileira, a mineira Tamar Guimarães, que vive em Copenhague, na Dinamarca, e nunca tinha sido vista aqui.

Anteontem, a mostra --que foi inaugurada no último sábado-- incorporou vários brasileiros, à revelia de Pedrosa: uma trilha sonora de músicas dos tropicalistas Caetano Veloso e Gal Costa, ou canções de bossa nova, entre outras, podia ser ouvida ao longo de todo o percurso da exposição.

"Soy Loco por Ti America", de Capinan e Gilberto Gil, na voz de Caetano, por exemplo, era a música que tocava, anteontem, por volta das 17h.

"Será que é alguma sabotagem?", comentou Pedrosa, quando soube da trilha musical, ontem pela manhã, por meio da reportagem.

"No domingo, alguém escreveu "Ianques go home", com i mesmo, justamente ao lado da Tamar, a única brasileira da mostra", disse o curador.

DJ

Segundo a Folha apurou, a ideia de ter trilhas sonoras nas exposições partiu da presidente da instituição, Milú Villela, e levou o MAM-SP a ter um projeto denominado "DJ Residente", para sonorização de espaços do museu.

No sábado, durante a abertura, Milú Villela disse à Folha que "em 14 anos de museu, nunca vi uma exposição tão bonita aqui".

Segundo a assessoria de imprensa do MAM, "a equipe do som do auditório do museu colocou a trilha, que foi feita para a abertura, sem consultar o curador". Ontem, depois de procurado pela Folha, Pedrosa pediu para retirar a trilha. "Não quero, até porque há obras que têm música na mostra", afirmou à Folha.

Intitulada "Mamõyguara Opá Mamõ Pupé", que em tupi antigo significa "estrangeiros em todo lugar" e é um trabalho do coletivo francês Claire Fontaine, o Panorama tem cerca de 35 artistas, em sua maioria latino-americanos. A exposição segue até 20 de dezembro.

 

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