Animação "Metropia" usa fotos como base e tem voz de Juliette Lewis
FERNANDA EZABELLA
da Folha de S.Paulo
A voz de Vincent Gallo continua a mesma, meio frágil, delicada, estranha. Todo o resto é diferente, afinal de contas estamos falando de um filme de animação, "Metropia", ainda que feito com uma técnica inovadora que usa como base fotografias de gente de verdade.
| Divulgação |
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| Roger, com voz de Vincent Gallo, tenta desvendar trama conspiratória na Europa |
Gallo empresta sua voz ao protagonista Roger, um homem franzino, careca e tatuado, que lidera uma trama de paranoia conspiratória, envolvendo uma marca de xampu azul, numa Europa sombria conectada por câmeras e trens subterrâneos. Uma história tão esquisita como os filmes estrelados pelo ator americano.
A atriz e cantora conterrânea Juliette Lewis dá voz à loira misteriosa do metrô, Nina, que leva Roger nessa aventura futurística, de Paris a Estocolmo. "As pessoas esperam ver em filmes de animação uma coisa pra cima, positiva. Mas nunca haverá um McLanche Feliz de "Metropia'", avisou o diretor Tarik Saleh, sueco de ascendência egípcia, em passagem pela 33ª Mostra, em sua terceira visita a São Paulo.
A primeira foi com seu filme de estreia, "Sacrifício" (2001), premiado no Brasil, que confrontou a história oficial sobre a morte do revolucionário Che Guevara; e a segunda foi com "Gitmo" (2005), sobre presos de Guantánamo, em Cuba. Para o diretor, os três filmes falam da mesma coisa: "Sou obcecado pela ideia do cara pequeno que luta contra o sistema", disse Saleh, que foi grafiteiro na Suécia por 15 anos antes de fazer cinema.
"A estética, a criatividade, "Metropia" tem o mesmo espírito do grafite." Antes de filmar "Metropia", Saleh e o diretor de arte, Martin Hultman, criaram cerca de 30 curtas de animação para desenvolver uma nova técnica, apelidada de "boneca de papel". "É baseada em fotografias, mas não é fotografia. Usamos as texturas das fotos, tiramos os olhos de um, a boca de outro e vamos assim construindo um personagem", explicou Hultman.
"Utilizamos um software, mas de maneira errada. Em vez de criar efeitos especiais, nós fazemos animação." Roger, por exemplo, é baseado no chef de um restaurante de Estocolmo, que posou para centenas de fotografias, assim como outras 400 pessoas.
Para fazer a voz, o diretor tinha dois atores em mente --o comediante Adam Sandler, quando o filme ainda tinha chances de ter uma pegada mais comédia, e Gallo, que gostou da ideia de não ter que representar mais um galã. "Ele me falou que não queria mesmo que o personagem fosse parecido com ele, mas, quando viu Roger pronto, não gostou nada do que viu. Disse que parecia o [diretor argentino] Gaspar Noé", disse Saleh.
Mais animação O festival traz outras duas animações curiosas: "O Fantástico Sr. Raposo", e o belga "A Town Called Panic", de Stéphane Aubier e Vincent Patar (hoje, às 22h40, no Unibanco Arteplex 1; livre), que usa bonequinhos de plástico, como um caubói e um índio, para contar uma história anárquica.
METROPIA
Quando: amanhã, às 16h, no Cine Bombril, e sábado, às 22h, no Cinemark Shopping Eldorado
Classificação: 12 anos
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