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04/11/2009 - 09h24

Leia a repercussão da morte do antropólogo Lévi-Strauss

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da Folha de S.Paulo

MANUELA CARNEIRO DA CUNHA, antropóloga, professora aposentada da Universidade de Chicago e autora de "História dos Índios no Brasil" (Companhia das Letras), entre outros:
"Claude Lévi-Strauss, como declarou no ano passado o antropólogo inglês Steve Hugh-Jones, não é apenas o maior antropólogo francês do século 20. Lévi-Strauss é o maior antropólogo, ponto."

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, ex-presidente:
"As contribuições de Lévi-Strauss revolucionaram a antropologia contemporânea. [...] Eu o conheci em Paris quando estudei na Sorbonne, em 1961, assim como fui visitá-lo, mais de uma vez, no Collège de France na década de 70 para render-lhe o tributo devido, a quem teve uma vida intelectual tão fecunda."

CARLOS FAUSTO, professor de sociologia da USP:
"Ele marcou não só a antropologia como todas as ciências humanas. Se hoje a antropologia brasileira é de ponta, foi porque soube absorver a obra dele. Lévi-Strauss deve aos índios brasileiros a inspiração para elaborar sua teoria, e nós lhe devemos a oportunidade que tivemos de canibalizar e digerir sua produção."

GILBERTO VELHO, antropólogo e professor do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ:
"Ele deu para a antropologia uma contribuição absolutamente original, mas transcendia isso. Uma coisa é o estruturalismo como moda, outra são os efeitos a longo prazo de Lévi-Strauss, cuja obra continua sólida, rica. Foi sobretudo um pensador que refletiu sobre a condição humana."

MARCO ANTONIO GONÇALVES, professor de antropologia da UFRJ, autor de "O Mundo Inacabado" (ed. da UFRJ)
"A morte deve possibilitar uma releitura de sua obra no século 21. Ela teve muita leitura nos anos 60, 70, no auge do estruturalismo, e, após muita crítica, nos últimos dez anos começou-se a repensá-la a partir de outras questões. Sem dúvida, continuará a ser lida nos próximos cem anos."

BEATRIZ PERRONE-MOISÉS, professora de etnologia ameríndia e tradutora de Lévi-Strauss:
"O antropólogo que abriu o caminho do diálogo entre pensamentos diferentes fica. O americanista que revelou a riqueza dos ameríndios fica. O pensador que destacou a necessidade de respeito pelo que há no mundo fica. Temos tempo para explorar sua obra, insubstituível."

SERGIO MICELI, professor de sociologia da USP:
"Embora hoje em dia a obra dele seja lida com ênfase em uma fusão entre cultura e natureza, numa leitura pós-social, sua grande contribuição foi no sentido de pensar a experiência social como sistema de relações. Ele sempre trabalhou com a ideia de que importa o sistema de relações, e não os agentes isolados."

TEIXEIRA COELHO, curador do Museu de Arte de São Paulo (Masp):
"No campo da cultura e da diversidade cultural, ele escreveu em 1952 sobre uma ideia que ainda hoje é revolucionária. Ele dizia que o importante não é preservar o fato cultural em si, o patrimônio, porque isso cria camisa de força, imobiliza, e sim conservar as condições que deram origem à diversidade."

SUELY VILELA, reitora da Universidade de São Paulo:
"Deixa marca indelével no ambiente acadêmico e cultural do país. Seja por sua profícua convivência com diversas tribos de índios brasileiros, seja por sua obra intelectual, na qual se destacam livros que se tornaram referência no mundo todo. A USP reconhece nele um de seus mais dignos professores fundadores."

JUCA FERREIRA, ministro da Cultura:
"Foi um apaixonado pelo Brasil, alguém que refundou, com seu ensaísmo, a literatura dos viajantes que formava o imaginário sobre o nosso território e nossas populações, fazendo com que aspectos da nossa cultura passassem a ser enxergados com olhos de investigação para os sistemas universitários, deixando uma escola de pensamento e pesquisa."

NICOLAS SARKOZY, presidente da França, por meio de seu gabinete:
"O Presidente da República presta uma homenagem a esse humanista incansável, a um universitário curioso, sempre em busca de novos saberes, e ao homem livre de todo sectarismo e de toda doutrinação que era Claude Lévi-Strauss."

JACQUES CHIRAC, ex-presidente da França:
"A França e o mundo perdem hoje um antropólogo excepcional, um intelectual que dedicou a sua vida a compreender e explicar as diferentes culturas, suas riquezas, suas diversidades, suas grandezas e suas fragilidades. Sua obra é, para mim, uma fonte de inspiração à igualdade e ao diálogo das culturas."

FRANÇOISE HÉRITIER, antropóloga que substituiu Claude Lévi-Strauss no Collège de France:
"De vez em quando surgem estrelas que brilham, sobretudo porque trazem algo de radicalmente novo. Mas ele trouxe uma maneira original de conceber o mundo e de conceber a análise do mundo. Essa visão de uma forma universal do pensamento humano faz dele único."

HÉLÈNE CARRÈRE D'ENCAUSSE, historiadora e secretária perpétua da Academia Francesa:
"Lévi-Strauss era um homem de uma abertura de espírito extraordinária, de uma cultura infinita, de uma discrição. Ele sabia de tudo. Um homem de tal temperamento, não se encontra outros assim. Era um acadêmico modelo, acessível para toda a academia."

ROLAND POURTIER, geógrafo e professor da Universidade de Paris:
"Os temas tratados por ele tocam o grande público. "Tristes Trópicos" é essencial pela visão filosófica da antropologia. É um clássico por ser acessível, exige uma bagagem intelectual mínima. O modismo tem peso, e aspectos do pensamento dele são hoje considerados fora de moda. Mas sempre voltamos aos clássicos."

Comentários dos leitores
Chris Maria (217) 04/11/2009 11h51
Chris Maria (217) 04/11/2009 11h51
Sem dúvida alguma sua morte representa uma grande perda. Entretanto, a relevante contribuição de sua obra para o desenvolvimento do pensamento humano o faz eterno. sem opinião
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JOSE MOTTA (27) 04/11/2009 11h17
JOSE MOTTA (27) 04/11/2009 11h17
O Brasi tem bom filososfos e pensadores, porém também tem muitos polpulistas enganadores. 4 opiniões
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J. R. (1126) 03/11/2009 22h39
J. R. (1126) 03/11/2009 22h39
pois ninguém pode adivinhar o futuro. Lévi-Strauss sempre enfatizou que "a mente selvagem é igual à civilizada", trazendo os povos ameríndios ao seu status merecido, ao século XX e XXI como povos e não animais selvagens. Diz FFHH que "Lévi-Strauss foi um dos maiores antropólogos de todos os tempos. Suas contribuições, especialmente depois que publicou 'As Formas Elementares do Parentesco', revolucionaram a antropologia contemporânea, provavelmente ele se interessou mais pelo livro devido às maneiras de como destruir a "celula mater" da sociedade, a fim de otimizar os lucros do sistema que apoia. A partir de então, a corrente chamada 'estruturalista' passou a exercer enorme influência em todas as universidades". FFHH que só conhece o âmbito das universidades, um erudito, nem mesmo teórico, pois jamais quis se envolver com o chamado "terceiro setor", diz "fui visitá-lo, mais de uma vez, no Collège de France na década de 1970 para render-lhe o tributo devido, a quem teve uma vida intelectual tão fecunda."; pena que não tenha aprendido nada, pois quem foi aluna de Strauss de fato foi Ruth Cardoso, se assim fosse não teria sido ele um presidente tão medíocre para o Brasil, um entreguista: "A globalização é o novo Renascimento da humanidade". Fazendo apologia a Lévi-Strauss o Brasil não começou com FFHH e vai terminar sem ele.
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Morre Lévi-Strauss e leva FFHH junto?
sem opinião
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