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04/11/2009 - 09h37

"Estruturalismo virou solução para tudo", diz historiador francês

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MARCOS STRECKER
da Folha de S.Paulo

Leia depoimento à Folha do historiador François Dosse, autor de "História do Estruturalismo" (em dois volumes, Edusc). O francês está em São Paulo para o lançamento de "O Desafio Biográfico" (Edusp).

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Claude Lévi-Strauss foi importante para a relação entre o Brasil e a França e para a relação entre o Brasil e o Ocidente. Tornou conhecidas todas as comunidades indígenas com as quais trabalhou como etnógrafo. "Tristes Trópicos" (1955) foi um grande sucesso não somente para os estudiosos mas também para o grande público.

O livro fez tanto sucesso que quase ganhou o prêmio Goncourt. Os responsáveis pelo prêmio lamentaram que não fosse um romance, pois isso teria permitido que ele fosse agraciado.

Foi o momento da descoberta da alteridade, do outro, nos anos 50. Em relação ao Ocidente, ao eurocentrismo, foi a descoberta de vários povos que vinham do colonialismo e afirmavam sua identidade. Há uma tomada de consciência, de descoberta de outras civilizações -incluindo as comunidades brasileiras.

Lévi-Strauss levou às ciências humanas um programa que representava grande otimismo e que se tornou um modelo. Conjugou uma ciência piloto na época, a linguística, a aplicações para as sociedades humanas. Fez a ponte entre a linguística e a antropologia.

Ele retomou o programa de Émile Durkheim, do final do século 19 e do início do 20, mas com muito mais força, graças a essa utilização da linguística. Foi o introdutor de uma semiologia geral, de um estudo do simbólico.

Estruturalismo

Com a "As Estruturas Elementares do Parentesco" (1949), Lévi-Strauss fez todas as ciências humanas sonharem novamente. Demonstrou que uma ciência humana -a antropologia- é capaz de uma realização que, em geral, está no domínio das ciências naturais: leis gerais, universais. Mostrou que a proibição do incesto vale para todas as civilizações. Esse fato foi inspirador, tornou-se um modelo para todas as ciências sociais, levou ao que ficou conhecido como estruturalismo.

Lévi-Strauss criou um programa que ultrapassou a antropologia, valeu para todas as disciplinas. O estruturalismo foi tão poderoso nos anos 60 que até o técnico da equipe francesa de futebol, então em crise, disse que reorganizaria a equipe de maneira estruturalista... O estruturalismo virou uma solução para todos os problemas.

Criador de novo modelo

Lévi-Strauss foi o responsável por criar o paradigma do estruturalismo, de que as pessoas não são realmente conscientes daquilo que fazem. Elas "funcionam" de acordo com regras, por lógicas que não dominam.

Outro papel importante foi mudar a concepção histórica de que havia povos atrasados. Ele contestou a noção de sociedades primitivas. Isso foi uma mudança muito importante em relação às teses racistas, em relação a uma certa concepção eurocêntrica da história.

Há pouco festejamos o centenário de Lévi-Strauss na França. Isso mostra que ele permanece uma figura central. Acho que isso voltará a ocorrer agora, será a celebração de uma figura humana muito importante para a cultura francesa.

Mas, para o momento atual da vida intelectual francesa, o paradigma estruturalista já está ultrapassado. Mesmo assim, há descobertas que foram fecundas e que permanecem. Não lemos mais os textos como antes, a concepção da historicidade mudou. Há avanços do estruturalismo incontestáveis que precisam ser revitalizados. Mas, hoje, há orientações que privilegiam fenômenos de individuação, de subjetividade.

Comentários dos leitores
Chris Maria (217) 04/11/2009 11h51
Chris Maria (217) 04/11/2009 11h51
Sem dúvida alguma sua morte representa uma grande perda. Entretanto, a relevante contribuição de sua obra para o desenvolvimento do pensamento humano o faz eterno. sem opinião
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JOSE MOTTA (27) 04/11/2009 11h17
JOSE MOTTA (27) 04/11/2009 11h17
O Brasi tem bom filososfos e pensadores, porém também tem muitos polpulistas enganadores. 4 opiniões
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J. R. (1126) 03/11/2009 22h39
J. R. (1126) 03/11/2009 22h39
pois ninguém pode adivinhar o futuro. Lévi-Strauss sempre enfatizou que "a mente selvagem é igual à civilizada", trazendo os povos ameríndios ao seu status merecido, ao século XX e XXI como povos e não animais selvagens. Diz FFHH que "Lévi-Strauss foi um dos maiores antropólogos de todos os tempos. Suas contribuições, especialmente depois que publicou 'As Formas Elementares do Parentesco', revolucionaram a antropologia contemporânea, provavelmente ele se interessou mais pelo livro devido às maneiras de como destruir a "celula mater" da sociedade, a fim de otimizar os lucros do sistema que apoia. A partir de então, a corrente chamada 'estruturalista' passou a exercer enorme influência em todas as universidades". FFHH que só conhece o âmbito das universidades, um erudito, nem mesmo teórico, pois jamais quis se envolver com o chamado "terceiro setor", diz "fui visitá-lo, mais de uma vez, no Collège de France na década de 1970 para render-lhe o tributo devido, a quem teve uma vida intelectual tão fecunda."; pena que não tenha aprendido nada, pois quem foi aluna de Strauss de fato foi Ruth Cardoso, se assim fosse não teria sido ele um presidente tão medíocre para o Brasil, um entreguista: "A globalização é o novo Renascimento da humanidade". Fazendo apologia a Lévi-Strauss o Brasil não começou com FFHH e vai terminar sem ele.
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Morre Lévi-Strauss e leva FFHH junto?
sem opinião
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