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05/11/2009 - 07h56

Documentário refaz viagem de Lévi-Strauss ao Brasil

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MARIO CESAR CARVALHO
da Folha de S.Paulo

Claude Lévi-Strauss [pronuncia-se Clôde Lêvi Strôss] morou só quatro anos no Brasil, entre 1935 e 1939, voltou em 1985 para uma visita de seis dias, mas seu interesse pelo país nunca parou. A opinião é do cineasta e antropólogo Marcelo Fortaleza Flores, que conviveu com o etnólogo entre 2004 e 2008 para fazer "Trópico da Saudade - Claude Lévi-Strauss e a Amazônia", documentário sobre os nambiquaras que a TV Cultura exibe hoje. Flores fez as últimas entrevistas com Lévi-Strauss.

Éric Brochu
O antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009), fotografado em escritório em Paris, em 1998
O antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009), fotografado em escritório em Paris

"O interesse dele pela etnologia brasileira nunca cessou. Apesar de não ter podido fazer mais pesquisas de campo, ele continuou com grande interesse sobre o trabalho de antropólogos brasileiros", disse Flores, que vive em Paris, em entrevista por telefone. Entre outros autores que Lévi-Strauss gostava, ele cita os nomes de Manuela Carneiro da Cunha e de Eduardo Viveiros de Castro.

A leitura dos textos mais recentes da antropologia brasileira não eram os únicos sinais de que Lévi-Strauss continuava a pensar o que escrevera a partir do Brasil, segundo o cineasta.

Ele dá outro exemplo da vitalidade do etnólogo: "Aos 98 anos, ele publicou uma resposta a um antropólogo americano que desaprovava algumas ideias dele", disse.

A expedição

Flores foi um locutor diferenciado na relação com Lévi-Strauss por causa de seus interesses: ele estudou e viveu cinco anos e meio com os nambiquaras, o grupo que o francês visitou em 1938, no norte do Mato Grosso.

Para fazer o documentário, ele refez a expedição de 1938. Saiu dela convencido que aquela viagem representa uma mudança de porte, uma guinada na antropologia moderna.

Segundo Flores, Lévi-Strauss viajou até o remoto sertão do Mato Grosso em 1938 por um motivo que mescla literatura e o nascimento da etnologia francesa: ele queria encontrar os remanescentes dos tupis que os franceses haviam visto no Rio de Janeiro quando invadiram a cidade no século 16.

Lévi-Strauss queria saber o que ocorrera com os índios que o pastor calvinista e escritor Jean de Léry (1534-1611) conhecera no Rio quando os franceses estabeleceram a França Antártica na baía de Guanabara entre 1555 e 1557.

As observações feitas por Léry sobre os índios disseminaram-se pela Europa, em boa parte por causa de Montaigne (1533-1592), e foram fundamentais para a criação do mito do bom selvagem, uma ideia que seria disseminada pela Revolução Francesa (1789).

Flores concorda em parte que havia algo de pós-moderno na expedição de Lévi-Strauss, já que sua inspiração era uma obra literária.

"Era uma expedição que tinha uma relação clara com os primórdios da etnologia no Brasil, com os franceses que estiveram aqui no século 16. Mas ela tentava desvendar um mundo novo. Como expedição, era um híbrido entre duas épocas."

Ao refazer a expedição, com fotos que Lévi-Strauss fizera em 1938, o diretor reencontrou no sul de Rondônia o grupo tupi que o etnólogo francês chamara equivocadamente de mundéu (mundéu era só um ramo linguístico, segundo Flores, e os índios eram akunsuns).

Pelas fotos, Flores contou 40 traços em comum entre os akunsuns e os índios que Lévi-Strauss chamara de mundéus.

A boa notícia do reencontro do grupo que Lévi-Strauss estudara em 1938 veio junto com uma péssima notícia: só restavam seis índios akunsuns, e os dois homens ainda carregam as cicatrizes dos tiros que levaram em 1985, quando parte do grupo foi massacrada.

TRÓPICO DA SAUDADE - CLAUDE LÉVI-STRAUSS E A AMAZÔNIA
Quando: hoje, às 23h, na TV Cultura
Classificação: 14 anos

Comentários dos leitores
Chris Maria (217) 04/11/2009 11h51
Chris Maria (217) 04/11/2009 11h51
Sem dúvida alguma sua morte representa uma grande perda. Entretanto, a relevante contribuição de sua obra para o desenvolvimento do pensamento humano o faz eterno. sem opinião
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JOSE MOTTA (27) 04/11/2009 11h17
JOSE MOTTA (27) 04/11/2009 11h17
O Brasi tem bom filososfos e pensadores, porém também tem muitos polpulistas enganadores. 4 opiniões
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J. R. (1126) 03/11/2009 22h39
J. R. (1126) 03/11/2009 22h39
pois ninguém pode adivinhar o futuro. Lévi-Strauss sempre enfatizou que "a mente selvagem é igual à civilizada", trazendo os povos ameríndios ao seu status merecido, ao século XX e XXI como povos e não animais selvagens. Diz FFHH que "Lévi-Strauss foi um dos maiores antropólogos de todos os tempos. Suas contribuições, especialmente depois que publicou 'As Formas Elementares do Parentesco', revolucionaram a antropologia contemporânea, provavelmente ele se interessou mais pelo livro devido às maneiras de como destruir a "celula mater" da sociedade, a fim de otimizar os lucros do sistema que apoia. A partir de então, a corrente chamada 'estruturalista' passou a exercer enorme influência em todas as universidades". FFHH que só conhece o âmbito das universidades, um erudito, nem mesmo teórico, pois jamais quis se envolver com o chamado "terceiro setor", diz "fui visitá-lo, mais de uma vez, no Collège de France na década de 1970 para render-lhe o tributo devido, a quem teve uma vida intelectual tão fecunda."; pena que não tenha aprendido nada, pois quem foi aluna de Strauss de fato foi Ruth Cardoso, se assim fosse não teria sido ele um presidente tão medíocre para o Brasil, um entreguista: "A globalização é o novo Renascimento da humanidade". Fazendo apologia a Lévi-Strauss o Brasil não começou com FFHH e vai terminar sem ele.
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Morre Lévi-Strauss e leva FFHH junto?
sem opinião
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