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07/11/2009 - 08h18

Faith No More empolga com energia e conversas em português

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo

Principal atração do festival Maquinária, que acontece a partir das 14h30 de hoje na Chácara do Jockey, em São Paulo, o Faith No More fez anteontem no Rio de Janeiro um show relativamente curto (não chegou a 90 minutos), mas poderoso.

Liderado pelo carismático vocalista Mike Patton, o FNM está escalado para subir ao palco do Maquinária às 21h30, logo após os também norte-americanos Jane's Addiction.

Vestido com o visual "escritório" (com ternos e gravatas, à exceção do baterista Mike Bordin) que tem marcado a atual turnê, o Faith No More voltou ao Rio 14 anos após sua última passagem pela cidade.

A banda abriu a apresentação de anteontem no Citibank Hall com uma canção instrumental climática --o tema do filme "Perdidos na Noite" ("Midnight Cowboy") --, antes de partir para a pancadaria que daria o tom da noite, com o hit "From Out of Nowhere" seguido da adequadamente intitulada "Be Aggressive".

Além da agressividade do som, outra característica do show foi a interação de Patton com a plateia, em português.

Pedro Carrilho/Folha Imagem
Mike Patton, vocalista da banda Faith No More, em apresentacao no Citibank Hall, no Rio de Janeiro
Mike Patton, vocalista da banda Faith No More, em apresentacao no Citibank Hall, no Rio de Janeiro

"Essa próxima canção é dedicada ao meu primeiro amor. Ela se chama Iris Lettieri", disse o vocalista, referindo-se à locutora do aeroporto internacional do Rio de Janeiro cuja voz o encantou na primeira vinda ao país (e foi usada em um disco da banda).

Para ela, a banda tocou "Evidence", com refrão traduzido para o português. Mais tarde, viria a "brasileira" "Caralho Voador", com citação da bossa "Ela É Carioca". No meio disso, várias saudações e palavrões na língua do país.

Os anos a mais não reduziram a empolgação do quinteto, que segue afiadíssimo, com destaque para a combinação de baixo (Billy Gould) e bateria (Mike Bordin), que pesa toneladas em canções como "Last Cup of Sorrow", "The Gentle Art of Making Enemies" e "We Care a Lot".

E, é claro, há Mike Patton, estrela e vocalista notável, que vai dos agudos mais estridentes aos graves do tipo "filme de horror" sem esforço aparente.

O público -- que misturava adolescentes dos anos 90 com teens atuais -- se empolgou e cantou os hits ("Epic ", "Easy", "Midlife Crisis").

E a plateia conseguiu uma proeza: no grito, convenceu a banda a tocar o hit "Falling to Pieces", que não tem entrado no set list da atual turnê.

"Só porque estamos no Rio", concedeu Patton, que, no entanto, errou o tempo e a letra da música -- precisou passar o microfone para Bordin--, o que deixou a versão bem tosca.

No fim, o público ainda tentou ganhar mais uma no coro (a cover de "War Pigs", do Black Sabbath), mas não conseguiu.

 

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