13/10/2006
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09h10
do Guia da Folha
A comédia "Pintar ou Fazer Amor", dos irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieu, apóia-se em clichês dos filmes franceses protagonizados por burgueses entediados. Afinal, o casal formado por Madeleine (Sabine Azéma), empresária e pintora amadora, e William (Daniel Auteuil), que acaba de se aposentar de seu trabalho como meteorologista, não sabe o que fazer com uma vida estável, um casamento apático e uma filha que foi estudar em Roma. A solução está em comprar uma casa de campo numa paisagem bucólica. Já se viu esse filme antes. Mas os Larrieu surpreendem e conquistam o espectador de forma elegante, com uma obra sensorial.
Ao se mudarem para a província de Isère, perto da cidade de Grenoble, o casal logo faz amizade com o prefeito local, que é cego, e sua jovem e bela namorada. Não à toa, ele se chama Adam (Sergi Lopez) e ela, Eva (Amira Casar). Como um casal no paraíso, ambos apresentarão um admirável mundo novo aos burgueses desiludidos. Adam sugere a riqueza que há na percepção de alguém que não enxerga, o que provoca forte reação na pintora que existe em Madeleine. E os Larrieu explicitam o desfrute da natureza em tomadas contemplativas, sempre comentadas por canções de inesperado efeito, seja ela a clássica "Nature Boy" ou autênticas "chansons" compostas por Philippe Katerine, que também assume um personagem coadjuvante (Mathieu).
Na verdade, os irmãos Larrieu, de forma sutil, subvertem a tradição burguesa pelo viés sensual. Nessa nova convivência, Madeleine e William se redescobrem também no prazer, abrindo espaço para liberdades sexuais nunca antes cogitadas --ajuda a expressão sempre luminosa de Azéma. O intento da obra não é explorar a situação em profundidade, mas insinuar delícias e desejos de forma a pincelar um quadro impressionista. Entre pintar ou fazer amor, o bom é mesmo fazer os dois.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre os irmãos Larrieu
Filme "Pintar ou Fazer Amor" subverte a tradição burguesa
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CHRISTIAN PETERMANNdo Guia da Folha
A comédia "Pintar ou Fazer Amor", dos irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieu, apóia-se em clichês dos filmes franceses protagonizados por burgueses entediados. Afinal, o casal formado por Madeleine (Sabine Azéma), empresária e pintora amadora, e William (Daniel Auteuil), que acaba de se aposentar de seu trabalho como meteorologista, não sabe o que fazer com uma vida estável, um casamento apático e uma filha que foi estudar em Roma. A solução está em comprar uma casa de campo numa paisagem bucólica. Já se viu esse filme antes. Mas os Larrieu surpreendem e conquistam o espectador de forma elegante, com uma obra sensorial.
Ao se mudarem para a província de Isère, perto da cidade de Grenoble, o casal logo faz amizade com o prefeito local, que é cego, e sua jovem e bela namorada. Não à toa, ele se chama Adam (Sergi Lopez) e ela, Eva (Amira Casar). Como um casal no paraíso, ambos apresentarão um admirável mundo novo aos burgueses desiludidos. Adam sugere a riqueza que há na percepção de alguém que não enxerga, o que provoca forte reação na pintora que existe em Madeleine. E os Larrieu explicitam o desfrute da natureza em tomadas contemplativas, sempre comentadas por canções de inesperado efeito, seja ela a clássica "Nature Boy" ou autênticas "chansons" compostas por Philippe Katerine, que também assume um personagem coadjuvante (Mathieu).
Na verdade, os irmãos Larrieu, de forma sutil, subvertem a tradição burguesa pelo viés sensual. Nessa nova convivência, Madeleine e William se redescobrem também no prazer, abrindo espaço para liberdades sexuais nunca antes cogitadas --ajuda a expressão sempre luminosa de Azéma. O intento da obra não é explorar a situação em profundidade, mas insinuar delícias e desejos de forma a pincelar um quadro impressionista. Entre pintar ou fazer amor, o bom é mesmo fazer os dois.
Especial

