27/10/2006
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09h15
da Folha de S.Paulo, em Washington
De certa forma, foi juntar a fome com a vontade de comer: a fome que Neil LaBute tem de lidar com a luta dos sexos, seja na forma que for, e a urgência de um tema, o intervencionismo norte-americano, que parece permear parte da produção local em tempos de guerra.
Eclético, o talentoso dramaturgo e diretor de origem mórmon, do excelente "Na Companhia de Homens" (1997), já se aventurou no filme de época ("Possessão", 2002) e na tragicomédia ("A Enfermeira Betty", 2000), entre outros.
Agora, se dá menos bem ao refilmar um clássico de terror B dos anos 70, "The Wicker Man" ("O Homem de Palha", no Brasil), que volta como "O Sacrifício". O que era apenas um thriller ocultista com Christopher Lee recebe goela abaixo uma xaropada que mistura misoginia barata com crítica política mal colocada.
Parte da culpa é de Nicolas Cage, no papel principal, como um policial que resolve visitar uma ilha isolada na Costa Oeste americana depois de receber uma carta de uma ex-noiva pedindo ajuda na investigação do desaparecimento de uma filha que ele nem sabia que tinha. Mais e mais, o ator vai se mostrando que é um John Travolta dez anos mais novo: bem dirigido, pode salvar filmes; largado solto, não é difícil que cause constrangimento com suas performances afetadas. Infelizmente, o segundo é o caso aqui.
Na sessão que eu vi, o momento crucial da trama, perto do final, arrancava risos da platéia. Sendo LaBute, no entanto, nem tudo se perde, principalmente na parte inicial, pré-ilha, e nos trechos do roteiro que ressaltam o que ele sabe fazer melhor: diálogos rápidos e ácidos entre homens (no caso, homem, singular) e mulheres, muitas mulheres.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre Neil LaBute
Refilmagem de clássico do terror se perde em misoginia barata
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SÉRGIO DÁVILAda Folha de S.Paulo, em Washington
De certa forma, foi juntar a fome com a vontade de comer: a fome que Neil LaBute tem de lidar com a luta dos sexos, seja na forma que for, e a urgência de um tema, o intervencionismo norte-americano, que parece permear parte da produção local em tempos de guerra.
Eclético, o talentoso dramaturgo e diretor de origem mórmon, do excelente "Na Companhia de Homens" (1997), já se aventurou no filme de época ("Possessão", 2002) e na tragicomédia ("A Enfermeira Betty", 2000), entre outros.
Agora, se dá menos bem ao refilmar um clássico de terror B dos anos 70, "The Wicker Man" ("O Homem de Palha", no Brasil), que volta como "O Sacrifício". O que era apenas um thriller ocultista com Christopher Lee recebe goela abaixo uma xaropada que mistura misoginia barata com crítica política mal colocada.
Parte da culpa é de Nicolas Cage, no papel principal, como um policial que resolve visitar uma ilha isolada na Costa Oeste americana depois de receber uma carta de uma ex-noiva pedindo ajuda na investigação do desaparecimento de uma filha que ele nem sabia que tinha. Mais e mais, o ator vai se mostrando que é um John Travolta dez anos mais novo: bem dirigido, pode salvar filmes; largado solto, não é difícil que cause constrangimento com suas performances afetadas. Infelizmente, o segundo é o caso aqui.
Na sessão que eu vi, o momento crucial da trama, perto do final, arrancava risos da platéia. Sendo LaBute, no entanto, nem tudo se perde, principalmente na parte inicial, pré-ilha, e nos trechos do roteiro que ressaltam o que ele sabe fazer melhor: diálogos rápidos e ácidos entre homens (no caso, homem, singular) e mulheres, muitas mulheres.
Especial

