28/10/2006
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10h36
Crítico da Folha de S.Paulo
Em meio aos excessos dos festivais, alguns pequenos filmes podem passar despercebidos. No caso da seleção alemã nesta Mostra, existem títulos que chamam a atenção, como é o caso de "O Desejo Liberado", porque chegam carregados de prêmios (Urso de Prata em Berlim-2006). Outros, apesar de mais discretos, não escondem um movimento consistente de renovação do cinema alemão e merecem ser conferidos. É o caso de "Quatro Janelas", longa de estréia do jovem diretor Christian Moris Müller.
Seu tema é a família, encarada aqui como núcleo de afetos sujeito mais à desconexão do que à unidade. O título se refere material e simbolicamente aos quatro personagens que o diretor retrata, integrantes de uma molécula familiar, mas que se comportam como átomos, cada um se dirigindo de maneira desconectada e aleatória.
O filme na origem era um projeto de curta, centrado na figura do filho, que constitui a primeira das quatro partes do longa. Para desenvolvê-lo em extensão, Müller recuperou uma proposição original de Akira Kurosawa, que em "Rashomon" construiu a narrativa alterando os pontos de vista. A alteração do foco narrativo se justifica aqui como forma de acentuar a desconexão emocional de seus personagens em relação ao núcleo familiar.
Mais que a estrutura, contudo, é o modo de capturar as individualidades, através de planos longos e de uma encenação seca e distanciada, que revela o talento desse diretor. Em vez de nos conduzir para uma culminância dramática, ele se atém, graças ao minimalismo de sua proposta, a detectar os movimentos subterrâneos, projetados aqui em espaços domésticos, o que só fortalece a impressão desse retrato de almas aspiradas pelo vazio.
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Promissora estréia "Quatro Janelas" renova o cinema alemão
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CÁSSIO STARLING CARLOSCrítico da Folha de S.Paulo
Em meio aos excessos dos festivais, alguns pequenos filmes podem passar despercebidos. No caso da seleção alemã nesta Mostra, existem títulos que chamam a atenção, como é o caso de "O Desejo Liberado", porque chegam carregados de prêmios (Urso de Prata em Berlim-2006). Outros, apesar de mais discretos, não escondem um movimento consistente de renovação do cinema alemão e merecem ser conferidos. É o caso de "Quatro Janelas", longa de estréia do jovem diretor Christian Moris Müller.
Seu tema é a família, encarada aqui como núcleo de afetos sujeito mais à desconexão do que à unidade. O título se refere material e simbolicamente aos quatro personagens que o diretor retrata, integrantes de uma molécula familiar, mas que se comportam como átomos, cada um se dirigindo de maneira desconectada e aleatória.
O filme na origem era um projeto de curta, centrado na figura do filho, que constitui a primeira das quatro partes do longa. Para desenvolvê-lo em extensão, Müller recuperou uma proposição original de Akira Kurosawa, que em "Rashomon" construiu a narrativa alterando os pontos de vista. A alteração do foco narrativo se justifica aqui como forma de acentuar a desconexão emocional de seus personagens em relação ao núcleo familiar.
Mais que a estrutura, contudo, é o modo de capturar as individualidades, através de planos longos e de uma encenação seca e distanciada, que revela o talento desse diretor. Em vez de nos conduzir para uma culminância dramática, ele se atém, graças ao minimalismo de sua proposta, a detectar os movimentos subterrâneos, projetados aqui em espaços domésticos, o que só fortalece a impressão desse retrato de almas aspiradas pelo vazio.
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