03/11/2006
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09h44
do Guia da Folha
O documentário "Uma Verdade Inconveniente" tem dois temas: o terror do aquecimento global e Al Gore. Aquele que deveria ter sido o próximo presidente dos Estados Unidos, como ele mesmo se descreve, é o narrador/apresentador do filme, que explicita, com minúcia de detalhes, riqueza de recursos visuais e tom de extremo alerta, o verdadeiro e terrível estado de saúde do planeta.
A denúncia é urgente, mas parece servir apenas de escada para Gore. Como documentário, o filme se parece com um caro especial de TV. Não há elaboração estética, apenas a esperta exibição de dados, armada como um espetáculo. A questão maior é o "showman". Gore posa de porta-voz da verdade, elegante e transparente, que argumenta com profusão de informações.
É impossível deixar de pensar que o filme dirigido por Davis Guggenheim é, em sua maior instância, uma impressionante peça de propaganda. Parece que Gore relança aqui sua candidatura à presidência --e o olhar de Guggenheim se dedica a isso. Para tornar a campanha eficiente, porém, é necessário que o espectador faça parte da encenação. E este é seduzido pelo show. Afinal, depois da era Bush, a possibilidade de ter Gore soa como um alívio.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre documentários
Al Gore estrela documentário sobre aquecimento global
CHRISTIAN PETERMANdo Guia da Folha
O documentário "Uma Verdade Inconveniente" tem dois temas: o terror do aquecimento global e Al Gore. Aquele que deveria ter sido o próximo presidente dos Estados Unidos, como ele mesmo se descreve, é o narrador/apresentador do filme, que explicita, com minúcia de detalhes, riqueza de recursos visuais e tom de extremo alerta, o verdadeiro e terrível estado de saúde do planeta.
A denúncia é urgente, mas parece servir apenas de escada para Gore. Como documentário, o filme se parece com um caro especial de TV. Não há elaboração estética, apenas a esperta exibição de dados, armada como um espetáculo. A questão maior é o "showman". Gore posa de porta-voz da verdade, elegante e transparente, que argumenta com profusão de informações.
É impossível deixar de pensar que o filme dirigido por Davis Guggenheim é, em sua maior instância, uma impressionante peça de propaganda. Parece que Gore relança aqui sua candidatura à presidência --e o olhar de Guggenheim se dedica a isso. Para tornar a campanha eficiente, porém, é necessário que o espectador faça parte da encenação. E este é seduzido pelo show. Afinal, depois da era Bush, a possibilidade de ter Gore soa como um alívio.
Especial

