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08/11/2006 - 22h30

Clodovil transforma popularidade na TV em força política

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SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online

O estilista Clodovil Hernandez, 70, foi o terceiro deputado federal mais votado na última eleição em São Paulo. Candidato pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão), recebeu quase meio milhão de votos (2% dos válidos), virou notícia no exterior e passou a ser acompanhado pelo jornalismo político de Brasília.

A popularidade conquistada na TV transformou Clodovil em uma força política, embora corra o risco de virar mira preferencial de um conselho de ética devido a suas declarações consideradas ofensivas a minorias, como negros e judeus.

Alvo freqüente de programas humorísticos que exploram piadas consideradas homofóbicas, o estilista parecia condenado ao ostracismo, após o troca-troca de emissoras e brigas com figuras da TV e da política.

Antes da campanha eleitoral, Clodovil era "notícia" apenas na mídia especializada em celebridades ou em "quase famosos". Ganhou espaço em capas de revistas e em programas de auditório, como o Domingo Legal (SBT), de Gugu Liberato, com o anúncio de que lutava contra um câncer de próstata. Depois de operado, culpou a turma do "Pânico" (Rede TV!) por ter contraído a doença devido à perseguição dos humoristas para que ele calçasse as "sandálias da humildade".

Neste ano, ele voltou a aparecer na Globo como jurado do quadro "Dança dos Famosos", do "Domingão do Faustão". Também estrelou o musical "Eu e Ela", em que aparecia em cena de meia arrastão, sandálias altas, unhas dos pés pintadas de vermelho e paletó e camisas masculinos.

A vitória de Clodovil foi recebida com frieza pelos militantes do movimento homossexual. Não há nenhuma expectativa de ele seja um porta-voz dos interesses da comunidade GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) no Congresso, uma vez que suas opiniões coincidem com o que se chama de "direita gay".

Ele evita apoiar manifestações como paradas do orgulho gay nem mostra familiaridade com o debate sobre o projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo. Só no ano passado, topou falar sobre sua orientação sexual em entrevista à "G Magazine".

"Declarei que sou homossexual porque já posso fazer isso. Como as pessoas costumam dizer, nessa idade já estamos acima do bem e do mal. Enquanto você não se sente livre, você não consegue fazer isso. Mesmo assim, eu adoraria não ter essa pele feminina, não parecer tanto mulher quanto eu pareço", declarou na edição de abril de 2005.

Seu discurso parece reproduzir opiniões típicas de um modelo de telespectadora de seus antigos programas, como donas-de-casa que sentam diante da TV para aprender receitas culinárias e jardinagem.

"As mulheres amam o Clodovil. Mas ele também teve muito voto de protesto", explica a drag Léo Áquila, que concorreu a uma vaga na Assembléia Legislativa de São Paulo e perdeu.

Clodovil nasceu no interior paulista, em Elisiário (402 km a noroeste da capital). Ficou famoso na TV nos anos 80 em um programa feminino da Globo, em que aparecia ao lado da então sexóloga Marta Suplicy, ex-prefeita da capital paulista. Na época, o "TV Mulher" (1980-1986) era o primeiro programa, pós-ditadura militar, a tratar de sexualidade.

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