16/11/2006
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10h19
Colaboração para a Folha Online
Banheiros públicos como protagonistas. Tais espaços, normalmente fontes de aversão, são o ponto de partida do curta "Banheiro Errado" (Wrong Bathroom, EUA, 2005), estréia da documentarista norte-americana Shani Heckman.
Lésbica assumida e dona de um visual bastante masculinizado (segundo ela mesma), Heckman está em São Paulo para acompanhar a participação de seu primeiro trabalho no festival Mix Brasil, que acontece na cidade até o próximo domingo e depois segue para Rio e Brasília.
Na primeira exibição, no último domingo, à qual Heckman esteve presente, a legenda em português não estava sincronizada com as falas, o que dificultou a compreensão do filme. A produção do evento prometeu a correção nesta quinta, quando o trabalho volta a ser exibido.
"Banheiro Errado" retrata algumas questões levantadas pelo movimento PISSR (People in Search of Safe Restrooms, Pessoas em Busca de Banheiros Seguros, em português), em atividade nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, principalmente o uso dos banheiros públicos por gays, lésbicas e transgêneros.
Segundo Heckman, tal convivência muitas vezes é tensa. "Algumas amigas minhas já foram alvo até da polícia, porque as usuárias do banheiro achavam que elas eram homens", diz a diretora.
As situações, segundo ela, vão além de questões técnicas. Para Heckman, as pessoas também costumam "reagir mal" quando encontram transgêneros em banheiros de uso comum. Transgêneros são pessoas que não se identificam com o sexo biológico. Assim, costumam usar roupas do gênero oposto, fazer tratamentos hormonais e até mesmo cirurgia de mudança de sexo.
A solução, segundo defendem o movimento e o curta, é o fim da distinção de banheiros para homens e mulheres. No lugar das classificações masculino e feminino, entraria em cena o banheiro único, também chamado pela diretora de "banheiro familiar" --os locais ofereceriam ainda serviços como fraldário.
Segundo Heckman, a idéia já é adotada em diversas cidades no hemisfério Norte. Uma delas é San Francisco (EUA), conhecida pela grande comunidade homossexual e onde a diretora mora.
Brasil
O diretor da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros), Beto Jesus, afirma que não há projetos de lei no Congresso brasileiro que tratem do assunto. "Existe o contrário", diz Jesus.
Ele se refere ao projeto de lei do vereador Carlos Eduardo Moreira (PSB-RJ), de Nova Iguaçu, que obrigava casas de espetáculos, cinemas, restaurantes, shoppings, clubes e estabelecimentos similares a possuir banheiro para transgêneros. A proposta foi vetada pelo prefeito da cidade neste ano. "O projeto só reforçaria o preconceito", afirma o militante.
Preconceito, porém, é o que Heckman diz não ter visto no Brasil. "Não enfrentei situações chatas aqui", diz a norte-americana. Para ela, o Brasil é um país mais liberal que os EUA. A diretora afirma ainda que a impressão favorável do país por ser por conta dos locais em que circulou na cidade. O circuito Jardins - Augusta, no qual parte da programação do Mix Brasil é exibida, é tido como amigável aos gays.
"Banheiro Errado"
Onde: Cine Olido (av, são João, 473, Centro)
Quando: Quinta-feira (16), às 17h. Dentro da programação de curtas "Os contraventores".
Quanto: Grátis
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SALVATORE CARROZZOColaboração para a Folha Online
Banheiros públicos como protagonistas. Tais espaços, normalmente fontes de aversão, são o ponto de partida do curta "Banheiro Errado" (Wrong Bathroom, EUA, 2005), estréia da documentarista norte-americana Shani Heckman.
Lésbica assumida e dona de um visual bastante masculinizado (segundo ela mesma), Heckman está em São Paulo para acompanhar a participação de seu primeiro trabalho no festival Mix Brasil, que acontece na cidade até o próximo domingo e depois segue para Rio e Brasília.
Na primeira exibição, no último domingo, à qual Heckman esteve presente, a legenda em português não estava sincronizada com as falas, o que dificultou a compreensão do filme. A produção do evento prometeu a correção nesta quinta, quando o trabalho volta a ser exibido.
| Divulgação |
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| "Banheiro Errado" discute uso de banheiros públicos por gays, lésbicas e transgêneros |
Segundo Heckman, tal convivência muitas vezes é tensa. "Algumas amigas minhas já foram alvo até da polícia, porque as usuárias do banheiro achavam que elas eram homens", diz a diretora.
As situações, segundo ela, vão além de questões técnicas. Para Heckman, as pessoas também costumam "reagir mal" quando encontram transgêneros em banheiros de uso comum. Transgêneros são pessoas que não se identificam com o sexo biológico. Assim, costumam usar roupas do gênero oposto, fazer tratamentos hormonais e até mesmo cirurgia de mudança de sexo.
A solução, segundo defendem o movimento e o curta, é o fim da distinção de banheiros para homens e mulheres. No lugar das classificações masculino e feminino, entraria em cena o banheiro único, também chamado pela diretora de "banheiro familiar" --os locais ofereceriam ainda serviços como fraldário.
Segundo Heckman, a idéia já é adotada em diversas cidades no hemisfério Norte. Uma delas é San Francisco (EUA), conhecida pela grande comunidade homossexual e onde a diretora mora.
Brasil
O diretor da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros), Beto Jesus, afirma que não há projetos de lei no Congresso brasileiro que tratem do assunto. "Existe o contrário", diz Jesus.
Ele se refere ao projeto de lei do vereador Carlos Eduardo Moreira (PSB-RJ), de Nova Iguaçu, que obrigava casas de espetáculos, cinemas, restaurantes, shoppings, clubes e estabelecimentos similares a possuir banheiro para transgêneros. A proposta foi vetada pelo prefeito da cidade neste ano. "O projeto só reforçaria o preconceito", afirma o militante.
Preconceito, porém, é o que Heckman diz não ter visto no Brasil. "Não enfrentei situações chatas aqui", diz a norte-americana. Para ela, o Brasil é um país mais liberal que os EUA. A diretora afirma ainda que a impressão favorável do país por ser por conta dos locais em que circulou na cidade. O circuito Jardins - Augusta, no qual parte da programação do Mix Brasil é exibida, é tido como amigável aos gays.
"Banheiro Errado"
Onde: Cine Olido (av, são João, 473, Centro)
Quando: Quinta-feira (16), às 17h. Dentro da programação de curtas "Os contraventores".
Quanto: Grátis
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