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Eastwood discute a construção do herói em "A Conquista da Honra"
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da Folha Online
No início de 1945, os inimigos dos Aliados na Segunda Guerra Mundial não se resumiam aos países do Eixo. Guerra consome dinheiro, fé no governo e apoio das massas, e o enfraquecimento de qualquer desses fatores pode conduzir à capitulação. Nesse cenário, e após longos quatro anos e meio de tentativas de conter e eliminar as forças de Hitler, a histórica foto de Joe Rosenthal --seis fuzileiros navais levantando a bandeira americana em solo japonês-- rendeu uma força extra.
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| Filme dirigido por Eastwood chega ao Brasil em fevereiro de 2007; confira a galeria de imagens |
Em seu filme, Eastwood (que assina também a produção e a música do longa) construiu as cenas dessas mortes de forma não menos realista ou impactante do que Steven Spielberg em "O Resgate do Soldado Ryan". Se por um lado tem a clara intenção de chocar, por outro o longa contrapõe os órgãos expostos, o sangue e a terra negra de enxofre ao ambiente pasteurizado de escritórios e hotéis americanos em que o destino da guerra é traçado. É nesse ambiente que três marines, supostamente integrantes do grupo que levantou a bandeira, rodam o país em busca de apoio financeiro para as Forças Armadas.
Rene Gagnon (Jesse Bradford, de "Por Conta do Destino"), Doc Bradley (Ryan Phillippe, de "Crash - No Limite"), e Ira Hayes (Adam Beach, de "Códigos de Guerra") são os três eleitos para a turnê de arrecadação. Eles deixam a frente de batalha para encontrar um cenário totalmente adverso ao de Iwo Jima, no qual nem todos se encaixam (em especial Hayes, o fuzileiro índio que tem de lidar com a bebida e o preconceito).
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| Imagem se tornou propaganda de guerra |
Impactantes, mesmo que óbvias, essas contraposições não deixam de lembrar o esforço para a queda de falsos escrúpulos visto em "Menina de Ouro" (que também conta com roteiro de Paul Haggis, ganhador do Oscar de melhor roteiro e melhor filme por "Crash - No Limite"). Da esplêndida imagem que reuniu um milhão de pessoas na Times Square novaiorquina, o que resta não tem qualquer relação com heroísmo.
"Cartas de Iwo Jima"
"A Conquista da Honra" foi lançado em outubro nos Estados Unidos sem sucesso nas bilheterias (fez regulares US$ 10 milhões em seu fim de semana de estréia), apesar das grandes expectativas. Foram gastos US$ 90 milhões na produção, que dividiu infra-estrutura e cenas com "Cartas de Iwo Jima" ("Letters From Iwo Jima", orçado em US$ 20 milhões).
O longa, que traz a visão japonesa do confronto (roteiro de Iris Yamashita) em idioma nipônico, deveria estrear apenas em 2007, mas teve sua chegada aos cinemas americanos antecipada para o dia 20 deste mês (chega por aqui em março e estréia neste fim de semana no Japão). Segundo a imprensa especializada, trata-se de uma manobra de Eastwood para aumentar suas chances no Oscar 2007. O veterano ator e diretor de 76 anos coleciona dois Oscars de direção, por "Os Imperdoáveis" e "Menina de Ouro".
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