08/12/2006
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09h31
da Folha Online
Caimano (crocodilo, em português) é o apelido dado pela imprensa de esquerda italiana ao ex-premiê Silvio Berlusconi. Em março deste ano, a duas semanas das eleições que tiraram o magnata das comunicações do cargo mais alto do país, um filme de mesmo nome foi lançado pelo cineasta Nanni Moretti. Polêmica.
Passado meio ano (e também o frisson), há quem diga que a sátira diretíssima ao réptil de Milão tenha perdido apelo. Mas "O Crocodilo" (2006, 112 min.) vai além do que se espera de um filme político. É também uma tragicomédia complacente que explica porque Moretti é chamado de "Woody Allen italiano".
Bruno Bonomo (Silvio Orlando, em grande atuação) é um decadente, endividado e conservador produtor de filmes trash dos anos 70. Vive em crise com a mulher e com o gerente de seu banco. Após uma década sem gravar, Bonomo consegue uma reunião com o canal estatal italiano RAI.
Acreditando que se trata de um filme de ação com boa dose de falcatruas, o produtor oferece à RAI uma história sobre primeiro-ministro Silvio Berlusconi. O roteiro chama-se "Il Caimano" e foi idealizado pela personagem Teresa (Jasmine Trinca), uma cineasta estreante. A parte anti-Berlusconi desta obra de Moretti é, na verdade, um filme dentro de outro.
"O Crocodilo" exibe, sem se pretender documental, passagens-chave da vida de Berlusconi, como sua ascensão na década de 60 com o "boom" imobiliário de Milão e a formação de seu conglomerado midiático. O filme também usa imagens reais de discursos polêmicos de Berlusconi. Em um deles, em pleno Parlamento Europeu, ele convida um deputado social-democrata alemão a interpretar um nazista para um filme italiano.
Paralelo aos acontecimentos da produção de "Il Caimano", há uma tentativa de Bonomo em acertar sua vida. Quando o drama familiar começa a flertar com o meloso, Moretti corta para o thriller político. Quando este ameaça ficar maçante, um destrambelhado anti-herói reaparece para rir da própria desgraça. Numa dança que dá sutileza às duras críticas do militante Moretti.
Berlusconi, o gênero
Por ocasião do pleito para primeiro-ministro no começo do ano ou simplesmente pela produtividade do personagem, filmes anti-Berlusconni viraram gênero na Itália em 2006. Só na Mostra de São Paulo deste ano, além de "O Crocodilo", havia dois deles: "Bye Bye Berlusconi!" (Jan Henrik Stahlberg) e "Política Zero" (Alberto Piccinini, Giovanni Giommi, Massimo Coppola).
No primeiro, uma comédia anárquica sobre a figura do ex-premiê não deixa de fazer seu julgamento político pelas acusações reais de corrupção.
Já em "Política Zero" --uma produção da MTV italiana-- as eleições do país são expostas junto à história recente dos italianos que, invariavelmente, cruza com as peripécias de Berlusconi.
A internet não ficou de fora das produções audiovisuais berlusconianas. No site de vídeos YouTube, é possível assistir a cenas em que um sósia faz performances excêntricas em público [veja vídeo 1 e 2]. Tratando-se do dito-cujo, fica até verossímil.
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Sátira a Berlusconi, "O Crocodilo" vai além da polêmica
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DIÓGENES MUNIZda Folha Online
Caimano (crocodilo, em português) é o apelido dado pela imprensa de esquerda italiana ao ex-premiê Silvio Berlusconi. Em março deste ano, a duas semanas das eleições que tiraram o magnata das comunicações do cargo mais alto do país, um filme de mesmo nome foi lançado pelo cineasta Nanni Moretti. Polêmica.
Passado meio ano (e também o frisson), há quem diga que a sátira diretíssima ao réptil de Milão tenha perdido apelo. Mas "O Crocodilo" (2006, 112 min.) vai além do que se espera de um filme político. É também uma tragicomédia complacente que explica porque Moretti é chamado de "Woody Allen italiano".
| Divulgação |
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| Berlusconi é retratado no início de suas investidas nos meios de comunicação |
Acreditando que se trata de um filme de ação com boa dose de falcatruas, o produtor oferece à RAI uma história sobre primeiro-ministro Silvio Berlusconi. O roteiro chama-se "Il Caimano" e foi idealizado pela personagem Teresa (Jasmine Trinca), uma cineasta estreante. A parte anti-Berlusconi desta obra de Moretti é, na verdade, um filme dentro de outro.
"O Crocodilo" exibe, sem se pretender documental, passagens-chave da vida de Berlusconi, como sua ascensão na década de 60 com o "boom" imobiliário de Milão e a formação de seu conglomerado midiático. O filme também usa imagens reais de discursos polêmicos de Berlusconi. Em um deles, em pleno Parlamento Europeu, ele convida um deputado social-democrata alemão a interpretar um nazista para um filme italiano.
Paralelo aos acontecimentos da produção de "Il Caimano", há uma tentativa de Bonomo em acertar sua vida. Quando o drama familiar começa a flertar com o meloso, Moretti corta para o thriller político. Quando este ameaça ficar maçante, um destrambelhado anti-herói reaparece para rir da própria desgraça. Numa dança que dá sutileza às duras críticas do militante Moretti.
Berlusconi, o gênero
Por ocasião do pleito para primeiro-ministro no começo do ano ou simplesmente pela produtividade do personagem, filmes anti-Berlusconni viraram gênero na Itália em 2006. Só na Mostra de São Paulo deste ano, além de "O Crocodilo", havia dois deles: "Bye Bye Berlusconi!" (Jan Henrik Stahlberg) e "Política Zero" (Alberto Piccinini, Giovanni Giommi, Massimo Coppola).
| Divulgação |
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| Elio De Capitani encarna Berlusconi em uma das cenas iniciais de "O Crocodilo" |
No primeiro, uma comédia anárquica sobre a figura do ex-premiê não deixa de fazer seu julgamento político pelas acusações reais de corrupção.
Já em "Política Zero" --uma produção da MTV italiana-- as eleições do país são expostas junto à história recente dos italianos que, invariavelmente, cruza com as peripécias de Berlusconi.
A internet não ficou de fora das produções audiovisuais berlusconianas. No site de vídeos YouTube, é possível assistir a cenas em que um sósia faz performances excêntricas em público [veja vídeo 1 e 2]. Tratando-se do dito-cujo, fica até verossímil.
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