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Ilustrada
29/12/2006 - 12h56

"James Brown está aqui; façamos amor", dizem fãs no Apollo de NY

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da Efe, em Nova York

James Brown, "o padrinho do soul", encheu pela última vez o mítico teatro Apollo de Nova York, onde deu seus primeiros passos há mais quatro de décadas e no qual ontem milhares de pessoas se reuniram para dar o último adeus ao músico.

Desde o início da madrugada, os fãs de "Mr. Dinamite", como o musico também era conhecido, amontoaram-se em frente ao lendário local de espetáculos do Harlem para dar adeus ao mito da música negra no palco onde alcançou o sucesso.

Flores, camisetas e pequenas réplicas em plástico de James Brown serviram para amenizar a espera das centenas de fãs que esperavam sem preocuparem-se com o frio.

Uma carruagem branca levada por dois cavalos percorreu as ruas do Harlem, bairro onde o artista era querido e admirado, e transportou o caixão dourado com o cadáver de Brown até a porta do teatro.

A chegada da carruagem gerou aplausos na popular e movimentada rua 125 de Manhattan, onde fica o Apollo, enquanto alguns exaltaram a sensualidade de sua música ao grito de "James Brown está aqui, façamos amor".

Na comitiva que acompanhou o percurso, integrada por cerca de cem amigos e fãs do músico, destacou-se a presença do reverendo Al Sharpton, líder da luta pelos direitos civis dos negros e amigo pessoal de Brown.

O músico, nascido na Geórgia, morreu na madrugada do dia de Natal. Ele ficará na História não só por sua contribuição à música, mas por ter se transformado em um modelo para a comunidade negra.

Keith González, 54, disse que em sua juventude assistiu a vários espetáculos do cantor e destacou sobre Brown que, acima de seu potencial artístico, ele foi um ícone da luta pela igualdade racial.

"Era um grande músico e uma grande pessoa, mas, principalmente, foi um pioneiro e um lutador pelos direitos civis dos afro-americanos. Através de sua música, deu voz aos negros", disse.

González não se mostrou surpreso pela recepção maciça do caixão de Brown. "Não é a primeira vez que o povo faz fila no Apollo para ver James Brown", disse González sorrindo.

Em 24 de outubro de 1962, Brown fez sua primeira apresentação neste lendário teatro, no qual também estrearam Michael Jackson e Ella Fitzgerald. O resultado foi o disco "Live at The Apollo", que o lançaria ao sucesso e o transformou em história.

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