Publicidade

Ilustrada
19/01/2007 - 09h23

"Déjà Vu" manipula à vontade a física e o público

Publicidade
RICARDO FELTRIN
Editor-chefe da Folha Online

"Déjà Vu", que estréia nesta sexta-feira em todo o Brasil, é uma espécie de salada quântica. O prato tem como ingredientes lascas de Teoria da Relatividade, uma profusão de tecnologia existente apenas na (genial) cabeça do produtor Jerry Bruckheimer e a eterna paranóia de que os norte-americanos serão alvo de novos massacres terroristas até o dia do Juízo --se não na vida real, ao menos nas telas de cinema.

Apesar de todas as teses expostas para justificar a manipulação do espaço, tempo e matéria este filme dirigido por Tony Scott parece ter se inspirado menos ou em Einstein ou na Teoria das Supercordas ou na mecânica quântica, e mais na curiosa série "Cavalo de Tróia", do jornalista espanhol J.J. Benítez.

Divulgação
Denzel Washington em cena de "Déjà Vu"
Denzel Washington em cena de "Déjà Vu"
Para efeitos de didatismo e diversão, a idéia de que os militares dos EUA desenvolveram desde os anos 70 um aparato capaz de "dobrar" o tempo e observar ou enviar coisas e pessoas para o passado próximo ou remoto é muito melhor detalhado nos oito livros "Tróia", de Benítez, do que em "Déjà Vu" (em entrevista à Folha durante visita ao Brasil em 96, o espanhol se irritou ao ser questionado sobre o conteúdo ficcional de sua obra. "Que ficção? Faço jornalismo", ralhou).

A verdade é que, como quase toda obra que mexe com a física, os cineastas podem abrir sem problemas as portas da teoria, mas dificilmente conseguem fechá-las.

Em vários momentos do filme, Denzel Washington, que interpreta o detetive Doug Carlin, pergunta aos experts em informática coisas que qualquer um perguntaria a Deus, se pudesse.

É como se Scott e Bruckheimer estivessem criando uma "religião tecnológica": 128 minutos de questionamento sobre bem e mal, possível e impossível, morte e vida. Tudo sob a luz de telas de alta definição e o som de cursores de computadores tão potentes que podem causar um apagão em toda Louisiana.

A propósito, "Déjà Vu" é o primeiro candidato a blockbuster a citar e exibir imagens da destruição do furacão Katrina, que atingiu Nova Orleans em 2005.

O resultado é um bom filme de ação e uma diversão garantida, desde que você feche os olhos para os "buracos negros" das teorias de Hollywood, tão conspiratórias como quaisquer outras.

Leia mais
  • Veja quando estréiam os filmes premiados no Globo de Ouro

    Especial
  • Leia tudo o que já foi publicado sobre Denzel Washington
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca