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Ilustrada
26/01/2007 - 10h35

Diretor mexicano realiza libelo humanista em "O Violino"

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CHRISTIAN PETERMANN
do Guia da Folha

Uma grande obra se constrói muitas vezes na transparente simplicidade de seus elementos. É o caso do premiado drama mexicano "O Violino", escrito, dirigido, co-produzido e co-montado por Francisco Vargas, que apenas aparenta ser mais uma trama em que a música é peça de redenção e resistência em tempos difíceis. O filme, porém, abre-se para um discurso emocional.

Divulgação
Cena de "O Violino", de Francisco Vargas
Cena de "O Violino", de Francisco Vargas
Com imagens em preto-e-branco, assinadas por Martín Boege e Oscar Hijuelos, acompanha-se a luta diária de um senhor idoso, dom Plutarco (o estreante dom Angel Tavira, de carisma insuspeito que lhe valeu prêmios de atuação em Cannes e em Gramado). Junto com o filho e o neto, eles tocam música para sobreviverem.

Plutarco toca seu violino mesmo com uma mão amputada. Ao mesmo tempo, seu filho integra um grupo rebelde que se opõe ao rigoroso governo militar.

De forma sóbria e elegante, o filme defende que há esperança enquanto houver música na alma. Esta é uma das mais poderosas armas contra a opressão. Vargas engrossa o coro de quem faz arte pelo enobrecimento social. Sem arroubos, ele realiza um libelo humanista. É difícil ficar incólume à sua poesia.

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