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02/02/2007 - 09h37

Philip K. Dick inspira "O Homem Duplo", longa de Linklater

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SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha

A ficção científica do americano Philip K. Dick (1928-1982) costuma operar em um registro mais irônico e sombrio do que as adaptações de seus romances e contos para cinema, como "Blade Runner" (82) e "Minority Report" (02).

De todo modo, foram os filmes, com suas soluções mais suaves e finais felizes para consumo do grande público, que o popularizaram depois da morte como um visionário de intensa criatividade.

"O Homem Duplo" procura se aproximar um pouco mais da atmosfera sarcástica e nebulosa do romance homônimo de Dick, com o uso de animação digital a partir de imagens com atores.

O diretor e roteirista Richard Linklater ("Antes do Amanhecer", "Antes do Pôr-do-Sol") já havia feito a mesma experiência em "Waking Life" (01), ensaio sobre filosofia e cultura contemporânea.

Aqui, ele narra uma distopia situada em futuro próximo, na Califórnia. Um agente da divisão de narcóticos (traços e voz de Keanu Reeves) investiga um grupo de consumidores de uma nova droga (entre eles, Robert Downey Jr. e Winona Ryder).

Como em "Os Infiltrados", ele é um tira sob disfarce, mas com sérios problemas de identidade, ainda mais alucinatórios graças à técnica de realização.

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