Publicidade

 

Publicidade

 

PUBLICIDADE

 
 
  Acompanhe a Folha.com no Twitter
20/01/2010 - 16h48

Hipermagreza domina passarelas da SPFW

Publicidade

 

FERNANDA MENA
NINA LEMOS
da Folha de S.Paulo

"Gente, o que é isso, essa menina está doente?" A frase, de um fashionista sentado na primeira fila de um desfile da SPFW, ilustra um espanto recorrente na atual edição do evento: as modelos estão mais magras do que nunca. Prova disso é que estilistas estão tendo dificuldades em montar seus "castings", fazem ajustes de última hora e escolhem peças estratégicas que escondam os ossos saltados das modelos.

De tão magras, modelos chegam a andar com dificuldade

Na SPFW da magreza radical brilham modelos na faixa dos 18 anos, que têm índice de massa corporal, calculado pela Folha, igual ao de crianças de 9 anos. No mundo dos adultos, a Organização Mundial da Saúde chama esse índice de "magreza severa".

Alexandre Schneider/Folha Imagem
Modelo em desfile na São Paulo Fashion Week
Modelo em desfile na São Paulo Fashion Week

A explicação vem da top Aline Weber, 21, que mora em Nova York e participou do filme "Direito de Amar", de Tom Ford. "Três coleções atrás, no auge do pânico antianorexia, as pessoas pesavam as modelos no backstage para ver se elas estavam saudáveis. Agora, a poeira baixou. Se você engorda um pouco, todo mundo está ali pra te julgar. Se você emagrece, falam que você está linda." Aline diz conhecer muitas meninas bulímicas e anoréxicas fora do Brasil. "As russas são as piores", conta.

O stylist David Pollak identifica o padrão supermagro europeu como uma das causas da onda que atinge a atual edição da SPFW. "Muitas meninas estão trabalhando fora e por isso estão supermagras. Estão dentro do padrão de Paris, que é esquelético."

A magreza radical fez com que ele tivesse dificuldades na hora de montar o "casting" da Cavalera. "A marca tem uma imagem mais adolescente, saudável. Por isso, peguei meninas que não são badaladas [leia-se, as que ainda não têm carreira internacional]. Outros stylists tiveram de fazer o improvável: dispensar meninas de suas seleções porque elas estavam magras demais.

A onda tem feito eles inverterem uma antiga lógica da moda: ao invés de avaliarem roupas ideais para esconder, por exemplo, um quadril mais largo, têm de descobrir os looks que vão ocultar um corpo esquálido. "As meninas muito magras causam problemas. Seus ossos apontam num vestido de seda mais fluido. Ou seus corpos, muito estreitos, deixam a proporção toda estranha", avalia o stylist Maurício Ianês.

Muito café

O estilista Reinaldo Lourenço não só percebe a hipermagreza das modelos desta temporada como também conta que teve que fazer hora extra por conta do fenômeno. "Tive que fazer vários ajustes de última hora em roupas que ficaram largas nas meninas, o que me deu o maior trabalho", diz. Segundo ele, isso acontece porque a atual safra de modelos é "muito jovem".

Nos camarins, longe da mesa de salgadinhos e quitutes --relegada aos jornalistas--, modelos desfilam com copos de café. "Identifico as mais magras como a turma do cafezinho, já que elas passam o dia todo tomando café para não comer e ficarem ligadas", diz Pollak. Em entrevistas, elas escondem o peso e as medidas. "Não sei quanto peso. Nunca subo na balança", disfarça uma delas.

Cristina Theiss, 18, jovem aposta da Ford Models, teoriza: "Para fazer passarela de inverno, precisa ser mais magrinha mesmo, porque as roupas são volumosas, enchem demais". Para agências de modelos, o assunto ainda é tabu. Ou foi deixado de lado. "Magreza? Anorexia? Mas que assunto antigo, datado!", diz um agente, interrompendo a entrevista da Folha com uma modelo. Basta olhar para as passarelas para ver que não é.

Comentários dos leitores
Sue Ellen (1) 26/01/2010 01h41
Sue Ellen (1) 26/01/2010 01h41
Acredito que o grande mal da sociedade é fazer questão de apagar o que vem de suas origens. É simples assim: ao analizarmos as pinturas de grandes artistas que se inspiravam em mulheres nuas ou semi, podemos notar como são destacadas as curvas, as silhuetas e, até mesmo para nos embasbacar, suas celulites, que hoje são como martírio na vida de grande parte das mulheres. Em algum momento fez-se questão de apagar de nossos passados o fato de que uma mulher com carne, curvas e celulites era o verdadeiro padrão de beleza e, até mesmo, de status. Indicava que tal era de fam;ilia bem sucedida, que tinha bens e, assim, podia alimentar-se bem! É da natureza da mulher ter curvas e carnes porque, em sua natureza, em sua origem anima, a mulher gera vida. Agora, como manter um padrão assim quando a mídia faz imposições absurdas e as muitas cabeças fracas q assistem aceitam e dizem "que assim seja"?! A atitude e a educação começa dentro de casa e não acontece da noite pro dia... Cabe a cada um de nós fazer o pouco que temos em mãos! sem opinião
avalie fechar
Francisco Lopez (1) 22/01/2010 16h06
Francisco Lopez (1) 22/01/2010 16h06
Respondendo ao Sr. Papai Sabetudo. A situação da magreza extrema não é só com as meninas. Enquanto todo mundo prestava atenção aos corpos das modelos, os modelos fomos encolhendo de tamanho. Hoje em dia, nas passarelas de Milão, Paris e Nova Iorque sao cada vez mais comuns os meninos (16, 17 e 18 anos) com 1.87m de altura e 70kg no maximo (sendo que 65kg é o peso "ideal" para alguns estilistas e bookers) e com no maximo 70cm de cintura. Simplesmente é a tendencia, é preciso menos material para vestir um modelo magro do que um mais "cheio". Mas culpar diretores de casting, estilistas e bookers não é justo acho. Eu sou modelo, Venezuelano, tenho 19 anos, 1.86m de altura, 66kg e 67cm de cintura, e trabalho com uma grande agencia aqui no Brasil, e eu sou simplesmente assim, naturalmente. Não faço dieta, nao sou anorexico, nem bulimico, e como eu, conheço varios meninos. O que os bookers pedem pra nos é não malhar para manter uma figura mais estilizada e androgina. Eu acho que as modelos e os modelos com look "saudavel" ja estiveram em alta nos anos 80 e inicio dos anos 90. Mas agora é a vez dos magros. Quem sabe quando chegara a proxima mudança. Anexo esta um link com um artigo do New York times que trata o assunto da magreza dos modelos masculinos, me senti identificado com ele e queria compartilhar com voces. Abraços!
http://www.nytimes.com/2008/02/07/fashion/shows/07DIARY.html?_r=2&ex=1360126800&en=a0571ec924f615cc&ei=5090&partner=rssuserland&emc=rss
2 opiniões
avalie fechar
Brenno Braga (24) 21/01/2010 19h19
Brenno Braga (24) 21/01/2010 19h19
Certíssimo o meu caro parente Antônio Carlos Vianna Braga, ao dizer: "Elas são vítimas de pessoas que amam as roupas e odeiam as mulheres..."! Acho que essa turma que comanda a atividade quer mesmo é fazer com que as mulheres fiquem mais e mais feias, quem sabe para evitar a concorrência?
Pelo que sei, as mulheres se enfeitam primeiro para si mesmas e para as outras mulheres e segundo, para os homens. E homem que é homem gosta mais é das mulheres tipo "boazudas", macias, curvilíneas, faz parte da natureza pois essas muheres são melhores parideiras. Seria hipocrisia querer negar que todos os seres vivos, inclusive os humanos estamos aqui para "crescer e multiplicar".
E para terminar, quem gosta de osso é paleontólogo e fábrica de adubo.
2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (33)
Termos e condições
 

Sobre a Folha | Expediente | Fale Conosco | Mapa do Site | Ombudsman | Erramos | Atendimento ao Assinante
ClubeFolha | PubliFolha | Banco de Dados | Datafolha | FolhaPress | Treinamento | Folha Memória | Trabalhe na Folha | Publicidade

Publicidade

 

Publicidade

 

Publicidade