Publicidade

Ilustrada
23/02/2007 - 09h08

Simbiose amorosa é tema de filme britânico "Vênus"

Publicidade
RICARDO CALIL
do Guia da Folha

Com a peça "Pigmalião" (1914), o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw criou o molde dramático para as narrativas em que um senhor sofisticado ajuda a refinar a visão de mundo de uma jovem inexperiente. No cinema, o mote já inspirou, com pequenas ou grandes variações, filmes como "Minha Querida Dama" (64) e o recente "Encontros e Desencontros" (03).

Divulgação
Peter O'Toole e Jodie Whitaker em "Vênus"
Peter O'Toole e Jodie Whitaker em "Vênus"
"Vênus" é mais uma atualização desse modelo. Como novidade, o filme britânico traz o intenso teor erótico da relação entre os protagonistas (a despeito da diferença de idade entre eles): Maurice (Peter O'Toole), um octogenário ator, e Jessie (Jodie Whitaker), uma rude mulher de 20 e poucos anos que, depois de um aborto, vai morar com seu tio-avô (o melhor amigo de Maurice).

O filme consegue transmitir a ambigüidade da interação entre Maurice e Jessie, a tentativa de sedução de uma garota por um idoso não é mostrada como aberração nem como fato corriqueiro. E a relação que os dois estabelecem é muito mais de simbiose do que de desejo: ele precisa dela para se sentir vivo; ela o procura para se achar especial. Se essa equação funciona em "Vênus", o grande responsável é O'Toole, indicado ao Oscar de melhor ator. O veterano intérprete de "Lawrence da Arábia" (1962) cria um Maurice sem glamour e também sem compaixão.

O roteiro do escritor Hanif Kureishi ("Minha Adorável Lavanderia") também contribui para um retrato pouco sentimental da situação apresentada. Mas a direção de Roger Michell ("Um Lugar Chamado Notting Hill") quase põe tudo a perder nos momentos em que tenta transformar o filme em uma comédia romântica embalada por músicas da moda.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre Peter O'Toole
  • Veja a cobertura completa do Oscar 2007
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca