27/02/2007
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09h00
Crítico da Folha de S.Paulo
Esse Oscar de direção não foi ganho no domingo. Só desencroou domingo. Ele já podia ter ido para Martin Scorsese em 1976, por "Taxi Driver", ou em 1980, por "Touro Indomável". Mesmo "Gangues de Nova York" possuía um sentido de grandeza que o credenciava a ganhar em 2002. Mas ele não vinha.
Na festa deste ano, os sinais pareciam se juntar apontando para a inevitabilidade de a estatueta ir para as mãos de Martin. Primeiro, como apontou Sergio Dávila em seu blog, os apresentadores da categoria: Coppola, Spielberg, George Lucas são uma espécie de três mosqueteiros da "geração das escolas". Não haviam de estar lá para dar o prêmio a um Iñarritu. E sim para o Dartagnan da turma. Os prêmios de roteiro adaptado (William Monahan) e montagem (Thelma Schoonmaker) reforçaram essa impressão.
A dúvida ficou até o final, claro, mas é como se este ano a Academia tivesse decidido pagar sua dívida. Melhor, para que isso acontecesse Scorsese não precisou abrir mão de características que certamente lhe diminuíram a chance em outras ocasiões, como o hábito de tratar situações e personagens marcados pela violência e pela brutalidade.
O prêmio para Scorsese é tão mais importante quanto se sabe que ele é um ótimo crítico de cinema. Talvez não o melhor vivo, como disse Rubens Ewald durante a transmissão da TNT --afinal Rivette, Godard, Chabrol, Rohmer continuam vivos. Em todo caso, Scorsese é certamente alguém que não atira no escuro, que conhece sua arte, ama-a, cultiva-a, preserva-a --e tudo isso pulsa em "Os Infiltrados".
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Com Oscar para Scorsese, Academia decide pagar sua dívida
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INÁCIO ARAUJOCrítico da Folha de S.Paulo
Esse Oscar de direção não foi ganho no domingo. Só desencroou domingo. Ele já podia ter ido para Martin Scorsese em 1976, por "Taxi Driver", ou em 1980, por "Touro Indomável". Mesmo "Gangues de Nova York" possuía um sentido de grandeza que o credenciava a ganhar em 2002. Mas ele não vinha.
| Gary Hershorn/Reuters |
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| Martin Scorsese recebeu o Oscar de melhor diretor por "Infiltrados" |
A dúvida ficou até o final, claro, mas é como se este ano a Academia tivesse decidido pagar sua dívida. Melhor, para que isso acontecesse Scorsese não precisou abrir mão de características que certamente lhe diminuíram a chance em outras ocasiões, como o hábito de tratar situações e personagens marcados pela violência e pela brutalidade.
O prêmio para Scorsese é tão mais importante quanto se sabe que ele é um ótimo crítico de cinema. Talvez não o melhor vivo, como disse Rubens Ewald durante a transmissão da TNT --afinal Rivette, Godard, Chabrol, Rohmer continuam vivos. Em todo caso, Scorsese é certamente alguém que não atira no escuro, que conhece sua arte, ama-a, cultiva-a, preserva-a --e tudo isso pulsa em "Os Infiltrados".
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