Ilustrada
02/03/2007 - 10h25

Bons atores garantem drama sobre viciados "Candy"

CHRISTIAN PETERMANN
do Guia da Folha

No começo de "Candy", uma bela cena sintetiza a alma melancólica da obra de Neil Armfield, diretor australiano de teatro que transpõe às telas o romance semi-autobiográfico de Luke Davies: o jovem casal Dan (Heath Ledger) e Candy (Abbie Cornish) entra em êxtase num carrossel. A dupla, viciada em heroína, encontra uma desejável leveza de espírito ao mesmo tempo em que anda em círculos, como na vida real.

Divulgação
Atriz Abbie Cornish faz a viciada Candy
Atriz Abbie Cornish faz a viciada Candy
Falta aqui a transcendência poética e emocional de um "Drugstore Cowboy", de Gus van Sant. A narrativa busca por vezes a contundência fácil do melodrama.

Mas Armfield dispôs de dois grandes atores para sugeri-los como simulacros de Adão e Eva num mundo de drogas --há até um deus na figura de Casper (Geoffrey Rush), um boêmio genial, homossexual e também viciado, um misto de William S. Burroughs e Timothy Leary.

O casal se entorpece para fugir da mediocridade suburbana de Sidney, mas, por inescapável ironia, sucumbe ao cenário devido ao próprio vício.

Esse autêntico caso de "amour fou" arremessa o espectador a um fatalismo doentio. E Armfield é feliz ao retratar como o inferno se disfarça de paraíso quando o viciado não se apercebe de seus limites.

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