28/03/2007
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08h47
da Folha Online
Visual andrógino, estilo glam e um rock rápido e pujante, quase sem solos. Destes três itens característicos do Placebo, só o último sobrou para apresentação do trio europeu ontem (27), em São Paulo. Foram cem minutos de guitarras distorcidas distribuídas por 19 faixas, sendo a maioria delas do CD "Meds" (2006). Cerca de 5.000 pessoas foram ao Credicard Hall, na zona sul da cidade.
Brian Molko (vocal, guitarra, efeitos), Stefan Olsdal (baixo, guitarra, e backing vocal) e Steve Hewitt (bateria e percussão) subiram ao palco às 22h. A banda ainda teve dois músicos de apoio: Bill Lloyd (teclados e guitarras) e o ex-Suede Alex Lee (guitarra e baixo).
O show começou com "Infra-Red". Daí em diante ("Meds, "Because I Want You", "Drag", "Space Monkeys"...), predominou o último álbum. Lá pela metade da apresentação, em "Follow The Cops Back Home", o vocalista sacou um cigarro.
"Putz, agora só falta ele pegar o banquinho", reclamou uma garota a seu namorado, no meio da pista. Não sem razão; a coisa toda ainda estava para engatar.
É improvável que o líder da banda tenha ouvido a lamúria, mas o que veio a seguir serviu como resposta. Uma tormenta de hits balançou o Credicard Hall até o último acorde, às 23h40, de "20 years". "Without You I'm Nothing", "Every You Every Me" e "Bitter End" foram as mais festejadas, além de "Special K" --aquela sobre a ketamina, o anestésico cirúrgico para cavalos.
Molko e Stefan interagiram só o necessário com o público. O vocalista estava comportado, de jeans e camisa branca listrada aberta no peito. Ainda assim, aparentemente sofria com o calor. Nada de maquiagem forte, só uma sombra de olho, como já se esperava. "Obrigado, São Paulo", foi o máximo que se conseguiu tirar dele em português durante as músicas.
"Me coma, Molko"
Se o Placebo mudou, seu público também. Em 2005, quando vieram pela primeira vez tocar em São Paulo, os músicos encontraram uma platéia GLS-andrógina. Desta vez, a variedade etária, sexual e estética foi maior, fruto da popularização do som.
O povo glam --que pinta os olhos, entre outras maquiagens-- estava lá, mas também o pai de família e a menina de 16 anos que curte "Panic at the Disco". Trajes improváveis divertiam os desavisados. Os 25ºC de uma terça-feira paulistana não intimidaram quem quis tirar o cachecol, a cinta-liga ou o saiote kilt do armário.
A cartilha da noite também estimulou os "customizados". A fã Laura Lavieri, 17, compareceu com a mesma camiseta da apresentação de 2005, produzida por ela. "Eat me Molko", pedia, em letras garrafais. "Foi tudo perfeito. Só faltou a duração eterna", derretia-se, já na área da casa de shows.
"Não curto maquiagem e prefiro o grupo como está agora", avaliou o estudante Bruno Castellotti, 17. Para ele, a banda está "evoluindo" ao se preocupar mais com música, menos com imagem.
Já para o estudante de moda Denis Mioshi, 19, olhos pintados, o grupo está mais acessível a outras tribos, mas não renega seu fã que se pinta todo. "Quem usa maquiagem, geralmente, é porque gosta de Placebo desde o começo. Mas tem espaço para todo mundo nessa platéia."
Nesta terça, de fato, teve. O CrediCard Hall não lotou sua capacidade de 7 mil pessoas, o que deixou a pista transitável.
A sobra de ingressos refletiu na venda paralela. Cambistas se esgoelavam em frente à casa de shows minutos antes da apresentação. Desesperados, eles tentavam passar para frente tíquetes pela metade do preço oficial de pista (R$ 80).
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DIÓGENES MUNIZda Folha Online
Visual andrógino, estilo glam e um rock rápido e pujante, quase sem solos. Destes três itens característicos do Placebo, só o último sobrou para apresentação do trio europeu ontem (27), em São Paulo. Foram cem minutos de guitarras distorcidas distribuídas por 19 faixas, sendo a maioria delas do CD "Meds" (2006). Cerca de 5.000 pessoas foram ao Credicard Hall, na zona sul da cidade.
Brian Molko (vocal, guitarra, efeitos), Stefan Olsdal (baixo, guitarra, e backing vocal) e Steve Hewitt (bateria e percussão) subiram ao palco às 22h. A banda ainda teve dois músicos de apoio: Bill Lloyd (teclados e guitarras) e o ex-Suede Alex Lee (guitarra e baixo).
| Divulgação |
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| Brian Molko, vocalista e guitarrista do trio europeu Placebo |
"Putz, agora só falta ele pegar o banquinho", reclamou uma garota a seu namorado, no meio da pista. Não sem razão; a coisa toda ainda estava para engatar.
É improvável que o líder da banda tenha ouvido a lamúria, mas o que veio a seguir serviu como resposta. Uma tormenta de hits balançou o Credicard Hall até o último acorde, às 23h40, de "20 years". "Without You I'm Nothing", "Every You Every Me" e "Bitter End" foram as mais festejadas, além de "Special K" --aquela sobre a ketamina, o anestésico cirúrgico para cavalos.
Molko e Stefan interagiram só o necessário com o público. O vocalista estava comportado, de jeans e camisa branca listrada aberta no peito. Ainda assim, aparentemente sofria com o calor. Nada de maquiagem forte, só uma sombra de olho, como já se esperava. "Obrigado, São Paulo", foi o máximo que se conseguiu tirar dele em português durante as músicas.
"Me coma, Molko"
Se o Placebo mudou, seu público também. Em 2005, quando vieram pela primeira vez tocar em São Paulo, os músicos encontraram uma platéia GLS-andrógina. Desta vez, a variedade etária, sexual e estética foi maior, fruto da popularização do som.
| Diógenes Muniz/Folha Imagem |
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| Fã do Placebo pede em sua camiseta: "Me coma, Molko" |
A cartilha da noite também estimulou os "customizados". A fã Laura Lavieri, 17, compareceu com a mesma camiseta da apresentação de 2005, produzida por ela. "Eat me Molko", pedia, em letras garrafais. "Foi tudo perfeito. Só faltou a duração eterna", derretia-se, já na área da casa de shows.
"Não curto maquiagem e prefiro o grupo como está agora", avaliou o estudante Bruno Castellotti, 17. Para ele, a banda está "evoluindo" ao se preocupar mais com música, menos com imagem.
| Diógenes Muniz/Folha Imagem |
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| Estudante de moda Denis Mioshi, 19, não dispensou maquiagem para show do Placebo |
Já para o estudante de moda Denis Mioshi, 19, olhos pintados, o grupo está mais acessível a outras tribos, mas não renega seu fã que se pinta todo. "Quem usa maquiagem, geralmente, é porque gosta de Placebo desde o começo. Mas tem espaço para todo mundo nessa platéia."
Nesta terça, de fato, teve. O CrediCard Hall não lotou sua capacidade de 7 mil pessoas, o que deixou a pista transitável.
A sobra de ingressos refletiu na venda paralela. Cambistas se esgoelavam em frente à casa de shows minutos antes da apresentação. Desesperados, eles tentavam passar para frente tíquetes pela metade do preço oficial de pista (R$ 80).
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