06/04/2007
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09h00
do Guia da Folha
Nos últimos anos, o cinema brasileiro produziu uma série de documentários biográficos interessantes, mas excessivamente comportados, como "Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje" (03) e "Vinicius" (05).
Nesse cenário, "Cartola", dos pernambucanos Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (respectivamente diretor e roteirista de "Baile Perfumado" e "Árido Movie"), surge como uma bela exceção.
O documentário consegue dar conta, com uma minuciosa pesquisa de imagens e várias entrevistas relevantes, dos aspectos centrais da vida de seu biografado, o carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), autor de sambas clássicos como "As Rosas Não Falam" e "O Mundo É um Moinho".
Estão lá a fundação da Mangueira em 1928; o sucesso como compositor nos anos 30; o sumiço nas décadas de 40 e 50; a redescoberta de Cartola nos anos 60 por Sérgio Porto, que o encontrou como lavador de carro; a criação do mítico bar Zicartola; a gravação do primeiro disco aos 66 anos e a consagração no final da vida. Ao recontar a trajetória única de Cartola, os diretores conseguem também perpassar parte do samba e do Rio no século 20.
Até aí, "Cartola" seria um documentário eficiente, porém convencional, como os citados acima. O grande diferencial do filme é a tentativa de traduzir, por meio de um inventivo mosaico de sons, imagens e passagens da vida e da obra do biografado.
O melhor exemplo desse exercício está na seqüência sobre o período de desaparecimento do compositor. Em vez de tentar preencher o vazio com entrevistas, Ferreira e Lacerda deixam a tela escura por um longo período, enquanto o som dos depoimentos continua rolando em "off". Em momentos como esse, "Cartola" faz jus à poesia singela e sofisticada de seu personagem.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre Cartola
Longa sobre Cartola faz jus à poesia de seu personagem
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RICARDO CALIL do Guia da Folha
Nos últimos anos, o cinema brasileiro produziu uma série de documentários biográficos interessantes, mas excessivamente comportados, como "Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje" (03) e "Vinicius" (05).
Nesse cenário, "Cartola", dos pernambucanos Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (respectivamente diretor e roteirista de "Baile Perfumado" e "Árido Movie"), surge como uma bela exceção.
| Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem |
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| Filme "Cartola", de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, estréia nesta sexta-feira |
Estão lá a fundação da Mangueira em 1928; o sucesso como compositor nos anos 30; o sumiço nas décadas de 40 e 50; a redescoberta de Cartola nos anos 60 por Sérgio Porto, que o encontrou como lavador de carro; a criação do mítico bar Zicartola; a gravação do primeiro disco aos 66 anos e a consagração no final da vida. Ao recontar a trajetória única de Cartola, os diretores conseguem também perpassar parte do samba e do Rio no século 20.
Até aí, "Cartola" seria um documentário eficiente, porém convencional, como os citados acima. O grande diferencial do filme é a tentativa de traduzir, por meio de um inventivo mosaico de sons, imagens e passagens da vida e da obra do biografado.
O melhor exemplo desse exercício está na seqüência sobre o período de desaparecimento do compositor. Em vez de tentar preencher o vazio com entrevistas, Ferreira e Lacerda deixam a tela escura por um longo período, enquanto o som dos depoimentos continua rolando em "off". Em momentos como esse, "Cartola" faz jus à poesia singela e sofisticada de seu personagem.
Especial


