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12/03/2010 - 12h20

Veja a repercussão da morte do cartunista Glauco

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da Folha Online

Leia a seguir a repercussão da morte do cartunista Glauco. Ele morreu nesta madrugada após uma tentativa de assalto em sua casa. O filho de Glauco, Raoni, 25, também foi morto. Glauco havia completado 53 anos anteontem (10).

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Rafael Grampá, quadrinista

"O Glauco é umas das principais referências para a minha geração. Um cara como ele, há tanto tempo fazendo tiras e fazendo disso uma história, mudou a vida de muitos artistas novos. Muita gente começou a trabalhar com quadrinhos por influência do trabalho dele. E foi um cara corajoso, que mudou a vida de uma forma muito drástica e espiritual depois que entrou para o daime. Isso é muito inspirador. É uma perda muito violenta para o quadrinho e para a cultura do Brasil."

Adão, quadrinista

"Eu conheci ele em 1993, quando comecei a fazer Los Tres Amigos. Chegou a virar lenda essa coisa dele faltar bastante às reuniões. Uma das características mais engraçadas dele é você via que ele tinha uma coisa de criança, um jeito de ser de criança, de moleque, era muito engraçado, o rei de falar merda. Ele via se você tinha um problema, detectava qual era o problema e pegava no seu pé. Fora isso, uma grande influência para todos nós no quadrinho moderno. Ele tinha um estilo de vida muito particular, ficava na coisa dele da igreja, do Daime. (...) É uma perda, um cara jovem, é um buraco que ficou aí. Tudo que o Glauco poderia vir a fazer, isso acabou. Fica essa tristeza."

Caco Galhardo, quadrinista

"O Glauco é a grande referência de todos nós, de todos os cartunistas. É uma perda tão grande. Ele está ali diariamente com a gente, é aquela coisa do Geraldão, que todo mundo conhece, que está ali, a gente não tem mais a companhia do Glauco. Ele foi uma grande referência a vida inteira. (...) Ele é o último maluco beleza. Sem esse cara, a vida perde a graça. É uma referência constante."

José Hamilton Ribeiro, jornalista

"(...) No 'Diário da Manhã' ele fazia a charge do dia. É um cartum que eu acho forte, não é uma coisa burilada, bonitinha, é forte. É a condição que se quer de um desenhista, de um chargista, que dá a machadada na cabeça. Eu tinha essa sensação do desenho dele, ele ia no ponto. Toda vez que a gente se encontrava, a gente confraternizava muito. A gente tinha uma afinidade natural. (...) É uma perda muito grande. Fica uma ausência, um vazio grande, um vazio muito grande. Mas o que aconteceu com ele vai acontecer também com algum talento jovem antes de achar seu lugar. Jovens vão usar esse espaço dele, e a vida continua, o show continua."

Ziraldo, cartunista e escritor

"A notícia me pegou na estrada, é uma coisa que deixa você meio chapado. É como perder um sobrinho. Vi esses quatro meninos --Glauco, Angeli, Laerte e Adão-- começarem a vida. Sempre os tratei como filhos e tenho um carinho muito grande por todos eles. O Glauco, em específico, sempre foi a alegria da festa, a alegria dos salões. Tinha uma agilidade mental muito grande, era muito crítico, debochado --debochado num bom sentido, como uma qualidade, quase como uma ironia. (...) É uma perda brutal para todos nós, e fico com raiva e vergonha dessa violência. Demorará para passar. Há muito tempo não sentia uma dor tão grande."

com Folha de S.Paulo

 

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